(Na verdade, não acabou. Mas na terceira temporada, que estréia ano que vem, muda 99% do cast. Fica só a Effy. Tenho um certo medo de que não vá ser tão bom.)
As cenas finais rodam com "Time to Pretend", de uma bandinha novaiorquina, MGMT. A letra é perfeita pra Skins. Dá pra ouvir no MySpace deles.
I'm feeling rough, I'm feeling raw, I'm in the prime of my life.
Let's make some music, make some money, find some models for wives.
I'll move to Paris, shoot some heroin, and fuck with the stars.
You man the island and the cocaine and the elegant cars.
This is our decision, to live fast and die young.
We've got the vision, now let's have some fun.
Yeah, it's overwhelming, but what else can we do.
Get jobs in offices, and wake up for the morning commute.
I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my home
Yeah, I'll miss the boredem and the freedom and the time spent alone.
There's really nothing, nothing we can do
Love must be forgotten, life can always start up anew.
The models will have children, we'll get a divorce
We'll find some more models, everything must run its course.
“Os quadrinhos são o novo rock’n’roll. Nos anos 80, todo mundo queria ter uma banda de rock no Brasil. Depois, todo mundo queria ser DJ, lembra? Agora é o momento dos quadrinhos”
É o Rogério de Campos, nosso hype-man, na matéria d'O Globo (tem um trecho aqui, porque o site do Globo é horrível) sobre quadrinistas brasileiros que saiu no domingo. Só li agora.
Segunda: Rafael Grampá, outro cara com um traço fantástico, que lança sua primeira graphic novel este mês, é não só gaúcho, mas pelotense como o que vos escreve. Vou transformar isso em pauta: Grampá, Sica e Odyr: Pelotas bleeds comics.
(Esse é o Grampá.)
Pra completar, Coutinho vai fazer uma HQ com o Daniel Galera (outro gaúcho na história) e Grampá com o Daniel Pellizzari (mais gaúcho). Não é que gaúcho seja bairrista - é que nós somos melhores.
Observação final: há uma proliferação de "Rafaels" nos quadrinhos brasileiros. Gente com outros nomes pode desenhar também, ok?
Ataquei o Amazon Marketplace, pegando todos livrinhos de interesse pra pesquisa por até US$ 3. O envio tá saindo um pouco menos de R$ 20 (US$ 12,49). Ótimos negócios.
Vou completar uma coleção do Stuart Ewen, que quero ler desde o meu TCC.
Coincidência macabra: estou lendo The Road, do Cormac McCarthy, e, de uma pilha de encomendas que peguei na Cultura, escolhi agora há pouco Three Shadows, do Cyril Pedrosa.
A coincidência é que os dois falam de pai, filho e morte. The Road é uma história desesperadora sobre um pai e um filho tentando sobreviver, caminhando pela estrada em busca de alguma coisa, numa terra pós-desastre ecológico. Three Shadows é uma HQ francesa, premiada em Angoulême, sobre um pai tentando proteger o filho da morte, representada pelas três sombras.
The Road é uma leitura complicada, porque o inglês tá um pouco além da minha capacidade. Já Three Shadows é tão fluida quanto os desenhos de Pedrosa. E linda. É daquelas narrativas em quadrinhos em que o autor não se preocupa com quantas páginas vai gastar para criar os impactos emocionais.
Dá para ver um preview de Three Shadows no Vulture. E sigo em The Road, pelo menos mais uma noite.
Por que que seriados têm roteiros melhores que filmes? Porque filmes são pra público massivo, seriados são pra público segmentado. Os filmes grandes deixaram de ousar porque têm que agradar o público do Canadá, da China, do Brasil e do Egito, então se nivela por baixo. Seriados têm que se pagar com anunciantes e product placement ou assinantes do canal a cabo, por isso têm histórias mais complexas, diálogos mais curtos e ousadia.
É isso que leva a um episódio como "Tony", o sexto da segunda temporada de Skins. É um A Primeira Noite de um Homem pós-moderno, com todas aquelas caras, as frases não ditas, os deslumbres e inclusive a comédia. E ao mesmo tempo não é, porque é um episódio de seriado. Mas o cinema não faz mais filmes tipo A Primeira Noite de um Homem (só de vez em quando, tipo Juno), então a gente precisa dos seriados.
Descobri que todos meus episódios prediletos de Skins são escritos por Jamie Brittain, um cara de 22 anos, filho do produtor executivo. O que mosta o mundo visto pela garota anoréxica, o da letargia do Sid e esse "Tony".
Tony é uma mistura de James Bond, Dr. House e Benjamin Linus, versão bully. O grande filho-da-puta em torno do qual acontece a primeira temporada - e que recebe um castigo divino no final. Na segunda temporada, até agora, ele era um personagem de fundo, em recuperação, bem panaca. E esse é o episódio "How Tony Got His Groove Back".
Brittain mistura pesadelos, mitologia (Orfeu e Eurídice), drogas, sexo, humor panaca inglês, o clichê da visita guiada à universidade (clichê pros ingleses, mas a gente entende) e o triângulo amoroso mais esperto do mundo. Só os diálogos entre Tony e o professor metidão já valeria um filme.
Sem falar na trilha sonora que só inglês sabe escolher.
Skins, certamente nesse episódio, é o motivo pelo qual todo mundo devia assistir mais seriados e menos filmes. Dá para ver completo aqui.
Sabe a historinha do novo livro do Jonathan Safran Foer ser um guia de aventuras em um apartamento nova-iorquino, três posts abaixo? Vai virar filme do J.J. Abrams.
A nova sensação no mundinho "quadrinho-literário" é o tijolo abaixo. The Bottomless Belly Button, Dash Shaw.
Tenho medo desses desenhos porque se parecem com aquelas coisas sem pé nem cabeça que às vezes saem em uma Mome ou outra antologia de HQ alternativa. Mas o cara está tendo seus 15minutos de fama essa semana, e o livrão fica bonito na estante. Então é claro que foi pro carrinho. Em breve estará causando lordose em um carteiro.
O trailer da adaptação de 20th Century Boys, um dos gibis mais legais do mundo (sobre um grupinho de crianças que inventa um plano para dominar o mundo - 20 anos depois, um deles executa o plano, com direito a seitas, assassinatos e robôs gigantes).
Por que esses trailers de filme japonês parecem novela mexicana?
Ouvi "Tonight, Tonight", dos Smashing Pumpkins, em uma propaganda e deu aquela nostalgia que me empurrou até o computador pra ouvir a música de novo. YouTube, direto. Tem milhares de versões do clipe.
Aí lembrei de um VHS que gravei há provalvemente mais de 10 anos, logo quando entrei na fase Pumpkins, do trecho de um show acústico em que eles cantam uma versão de "Tonight, Tonight" que eu rodei, rebobinei, rodei, rebobinei, rodei, rebobinei, rodei, rebobinei e rodei até gastar a fita. Lembro que cacei essa versão nos primórdios dos fansites (foi quando eu conheci o estranho arquivo "mp3"), sem sucesso.
Coloquei no YouTube: tonight tonight pumpkins acoustic . Sexto resultado. Reconheci pela toquinha do Billy Corgan. Vi 536508 vezes, difícil esquecer.
30 Rock: a segunda temporada é três vezes melhor que a primeira.
The Office: nunca cansa.
Lost: cara, como eles vão ter conteúdo para mais duas temporadas? Fica cada vez melhor.
Desperate Housewives: atingiu o nível surreal de novela da Globo. Mas tem uns diálogos da Lynette que salvam.
South Park: temporada fraquinha. Dois ou três episódios geniais.
Saturday Night Live: você viu o episódio com o Christopher Walken morto-vivo? Não dá para deixar o cara fazer programa ao vivo. Parece que ele vai se desligar a qualquer momento. Além do Christopher Walken, tem uns esquetes terríveis. O bom é quando eles falam de Obama x Hillary. E o Weekend Update. Às vezes eu assisto só o Weekend Update.
Breaking Bad: é, legal. Foi bem prejudicada pela greve dos roteiristas.
Séries voltando (lista atualizada):
Weeds: junho! Californication: junho ou julho. Mad Men: julho! Entourage: setembro! The IT Crowd: este ano, mas sei lá quando. Flight of the Conchords: no fim do ano, se eles conseguirem escrever novas músicas. 24: janeiro! Damages: ano que vem. Big Love: sei lá. Pushing Daisies: sei lá.
É um vício. Consegui chegar ao fim de The Wire e Roma (as duas com mais altos que baixos), mas acabei substituindo as duas por outras três: House, Battlestar Galactica e Friday Night Lights.
Já falei de House (me viciei) e ainda estou me decidindo sobre Galactica (que tem um episódio-piloto poderoso). Friday Night Lights foi daqueles casos de eu ouvir um comentário bom, depois outro, e mais um, até vencer a barreira de assistir um seriado sobre futebol americano, baixar o primeiro episódio e...
Foi a trilha sonora. Explosions in the Sky, uma bandinha americana versão genérica do Mogwai (por sua vez, genérico do Sigur Rós), que toca o que eu chamo de "música das nuvens". Não sei quem teve a idéia de colocar post-rock como trilha pra jogos de futebol americano (provavelmente o Peter Berg), mas funciona. Quase chorei no fim do piloto. Ouço a banda todo dia no carro. É uma obsessão.
Do seriado, passei para o filme original homônimo (no Brasil, Tudo Pela Vitória), também com trilha do Exposions in the Sky. Tem o Billy Bob Thornton, é recente (2004), mas eu nunca tinha ouvido falar. E é poderoso. Só a idéia de fazer o filme sobre "o ano anterior" (não vou estragar o final) já é genial.
Na verdade, não é só a trilha. O cara por trás de tudo é Peter Berg, que dirigiu o filme e o piloto e é produtor executivo. Berg, como diretor, é um genérico do Michael Bay - não gosta de deixar os takes durarem mais que 3 segundos. Mas consegue trazer mais emoção. Ele conseguiu superar o Um Domingo Qualquer do Oliver Stone, que era a referência máxima em jogos de futebol cinematográficos. Não é pouca coisa.
Voltando à série: tem os draminhas adolescentes misturados ao argumento principal do campeonato de futebol. Bem bobinha. Mas a trilha faz valer a pena. Se você não assiste, pelo menos ouça. Welcome Ghosts é a melhor.
Skins é Malhação na Inglaterra e com cérebro. Está na segunda temporada, que ainda estou assistindo. Tem alguns episódios brilhantes (o da menina trompetista, o da menina anoréxica) e alguns episódios extremamente mal escritos (o da viagem pra Rússia). Os do meio-termo têm roteiro bom, direção estupenda (as imagens são fantásticas) e trilha sonora (Sigur Rós!) que só os ingleses sabem escolher.
No mundo da série, todos adultos são figuras sem direção, infantis, incapazes de tomar decisões sozinhos. Os roteiristas leram Vida Líquida e decidiram que as pessoas andam mesmo meio plastas. Em um mundo plasta, a adolescência parece o último refúgio de sentimento autêntico antes de você ingressar na vida automática da maturidade.
Como já tenho uma queda por histórias de adolescentes cheias de tensão emocional, drogas, sexo, amizade e angústia (provavelmente porque minha adolescência foi o inverso), fico vidrado com cada episódio.
(Aliás, não sei por que nenhum canal brasileiro exibe, já que tem até o gancho de uma atriz brasileira.)
Em um extremo, você tem as coisas de machão como as de Frank Miller, uma boa parte das quais poderia ser chamada de adolescente e neanderthal. Ouvi que seu próximo projeto pode ser "Batman vs. Bin Laden"... O que dizer? No outro extremo, tem coisas extremamente bem projetadas, como as de Chris Ware, que parece estar repetindo infinitamente como a vida americana moderna é emocionalmente vazia e solitária. E a América é o país mais confortável e rico na face da Terra. Eles não tem lá muito do que reclamar, e mesmo assim fazem essas... lamúrias ricamente ilustradas. Tem pouquíssima gente realmente tentando fazer algo literário com os quadrinhos.
Segundo informes, Gondry, 45, que dirigiu filmes aclamados pela crítica como Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Be Kind Rewind, arrastou a caixa de uma máquina de lavar até seu apartamento de US$ 2,1 milhões no Upper West Side, após ela ter sido descartada por um vizinho no sábado pela manhã. Usando apenas um crayon e sua imaginação, Gondry conseguiu sem esforço algum transformar a caixa em um submarino, uma nave espacial e um castelo.
Segundo outros informes, ele também transformou a caixa em um forte supersecreto.
"Esta mídia é maravilhosa de se trabalhar por causa das possibilidades ilimitadas", Gondry disse agachado dentro da caixa. "Agora estou trabalhando na fábrica de bolhas, mas mais tarde vou fazer tobogã num arco-íris".
Liquidação total na Conrad + umas coisinhas + esse primeiro da lista, que vai servir de referência pro futuro do Departamento de Aquisições (futuro distante, porque tenho que dar uma enforcada no Departamento por uns meses).
"Dinosaur Comics is one of the Internet's more popular comic strips -- the revenue from advertising on the site and the sale of merchandise related to the comic is North's livelihood."
Li o texto do David Mamet na Folha (em inglês aqui) sobre sua virada política da esquerda para a direita. Saiu mês passado. Deixo a Folha empilhada aqui em casa. Quando a pilha começa a cair, leio uma semana inteira.
Mas enfim, tem o texto confuso do Mamet - tu nunca sabe quando ele tá sendo irônico ou sério (fora os livros dele, que são bem didáticos) -, uma entrevista com o Paulo Betti (que atuou em/dirigiu peças do Mamet) e um artigo de uma professora de literatura. Esses dois também ficaram em dúvida se o cara está de brincadeira.
O que essas três páginas de puro Mamet no Mais! esquecem de dizer é que, de O Sucesso a Qualquer Preço, o cara passou para dirigir Spartan (você não assistiu? Devia) e, o mais importante, e ser o cabeça daquele seriezinha mequetrefe estilo "oh, os nossos soldados!" The Unit. Se isso já não era sinal de guinada para direita...
Na verdade, é sinal de que o pessoal da esquerda que fez "oh" com o texto do Mamet ainda não assiste televisão e continua esperando que o Village Voice diga as coisas em que eles podem acreditar. O que é mais um motivo para o Mamet deixar essa turma de lado.
E talvez essa seja a ironia que ele quis criar.
(Ah, e tem um textinho acessório no Mais! que explica um erro que eu sempre cometo: a tradução de "liberal". Liberal, para os americanos, é de esquerda. Liberal, para os brasileiros, é de direita. Tanto que o partido democrata deles é a esquerda e o nosso Democratas é a direita total. O problema é com a idéia de liberdade: nossos "liberais" querem liberdade econômica pros ricos. Os liberais deles querem liberdade social pros pobres.)
Acho que a primeira vez que eu vi essa capa foi há mais de dez anos. Ela é ridiculamente simples e linda. Na época, eu nem imaginava em ter coleções de gibis importados.
Hoje ela chegou aqui. A foto abaixo não é minha. E é difícil encontar foto na web, porque era edição limitada, saiu em 1994 e tá decididamente esgotada. Mas apareceram algumas cópias baratinhas no eBay e na Amazon, aí resolvi investir pra ter o sonho antigo.
http://i11.ebayimg.com/01/i/000/ef/ea/d1b7_1.JPG
Ah sim, e a história dentro é das coisas mais bonitas dos gibis. Aquela segunda edição, da menina mutantes (acabei de folhar), ainda me dá calafrios.
(UPDATE: por algum motivo os capítulos estão impressos de trás pra frente: 4, 3, 2, 1... Ah, e acabo de descobrir que a edição é autografada pelos autores.)
Uma coisa que eu não sabia (entre as muitas coisas que eu ainda não sei): aquele porco voador que aparece de fundo numa cena do Filhos da Esperança é o porco voador que o Pink Floyd usa em shows.
Usava, aliás. O porco fugiu e explodiu esta semana. O que significa que estamos livres do futuro de Filhos da Esperança!
Desperate Housewives essentially functioned as a kind of cognitive heat sink, dissipating thinking that might otherwise have built up and caused society to overheat.