Pegando carona em um post do Marmota. O Mauricio de Souza lançou um novo personagem, denominado "Bloguinho", que fala uma espécie de "internetês". Ixto eh, ele fala axim e ri axim kkkkkk, mó legau. Essa linguagem é comum em blogs pré-adolescentes atualmente e o personagem vem para refletir isso.
Eu costumava me irritar com quem escrevia assim. Obviamente a grafia é errada para o português e erro é associado a burrice e nunca é bom ver uma geração nova se tornando burra. Mas me dei conta de duas coisas:
1. Isso não é português. As regras são informais, mas são outras regras, outras construções. A pessoa que escreve "axim" não quer escrever "assim", ela quer escrever com X mesmo. Logo, ela está escrevendo corretamente, suas motivações é que são diferentes.
2. Essas pessoas quase nunca estão escrevendo para mim. São outras pessoas, em blogs que chego apenas movido pelo acaso. Em meu grupo de conhecidos, não há quem escreva dessa forma, pelo menos não tão radicalmente. Quem escreve nessa forma está se comunicando com seu próprio grupo, não comigo. Se a informação não é dirigida a mim, que razão teria eu para criticar sua forma? Sequer tenho direito a reclamação nessa questão.
A questão 2 tem o lado contrário também: não leio nada de quem escreve nessa nova língua. Obviamente não é para mim, eu estaria bisbilhotando.
Somando-se tudo, deixei de me preocupar com gerações que escreve ou falam diferente. Eles lá e eu aqui. Minha geração já passou se preocupando em aprender a falar com a língua do Pê e não vejo hoje ninguém crescido fazendo isso. Pelo menos não em público. Assim, me acordem quando a Folha começar a ser escrita em internetês. Serei o primeiro a liderar a rebelião.
