Ainda estou pensando nessa questão do desarmamento, já que parece que há um plebiscito marcado para decidir isso. Minha "regra do dedão" é que quanto menos armas, melhor. Mas isso é simplificar demais, eu sei. Portanto estou coletando opiniões e fatos. O problema é que ambos os lados parecem jogar mais com emoção do que com razão.
Hoje recebi um e-mail com estatísticas de que em diversos países onde ocorreram desarmamentos como o proposto, os crimes aumentaram nos meses seguintes. Esse é um típico argumento enganoso, pois o desarmamento é uma medida de longo prazo. Óbvio que os bandidos não vão entregar suas armas, mas o conceito é que essas armas eventualmente deixarão de funcionar (ou serão confiscadas) e, então, haverá menos armas no todo, gerando uma maior dificuldade de substituição. Isto é, armas serão mais caras até mesmo para bandidos. Eu aguardaria uns bons 5 anos para ver quedas nos crimes com armas nesses países. A verdadeira questão é se desejamos suportar um aumento inicial no crime para melhorar a situação no futuro.
Outro problema é que parece ser um dilema do prisioneiro a questão. De nada adianta o Brasil ser desarmado se for fácil obter armas no país vizinho. E ninguém quer começar, pois ficará pior que o vizinho que resolveu esperar. O argumento a favor do desarmamento é que alguém tem que começar e, eventualmente, outros países seguirão o mesmo caminho. Novamente, a amenização do problema vêm a longo prazo. O problema disso é que uma solução muito melhor seria negociar com os vizinhos um desarmamento sincronizado, coisa que não parece ter sido considerada.
E o maior problema de todos é a divulgação seletiva de informações, por ambos os lados. Neste e-mail que recebi, citam os exemplos dos países que se deram "mal" (a curto prazo), mas não menciona se há exemplos contrários, nem qual a proporção. Analogamente, do outro lado, citam diversos casos tocantes de acidentes com armas de fogo, ou pequenas brigas que viraram tragédias pela disponibilidade de armas, mas não mencionam o quão significantes são esses casos no todo, nenhuma estatística é provida.
Tenho certeza que há dúzias de bons argumentos para ambos os lados, mas no fim eles pouco importam. Há o que não têm confiança na polícia e preferem um modo "cada um por si", e que não importa as estatísticas que apareçam vão ser sempre contra o desarmamento. E há os que não confiam na polícia, mas também não confiam no vizinho, estando dispostos a não ter armas se o vizinho também não tiver e, novamente, não importa as estatísticas e argumentos que apareçam, serão a favor do desarmamento.
A questão será decidida como toda decisão de massas, mais pela emoção do que pela razão. O que, no fundo, é a causa do problema todo. Afinal, com o perdão da frase de efeito, não são as armas que matam, são os que estão atrás do gatilho.