Uma área da ciência e tecnologia ainda inexplorada, até onde sei, é a que vou chamar de Robótica Comportamental. O termo já existe, é verdade, mas não é aplicado da maneira que eu vejo como sendo aplicado. E eu vejo como sendo aplicado da seguinte forma. Nos últimos meses, tenho utilizado em casa o Roomba, um aspirador robô. Sendo um robô pré-Robótica Comportamental, ele faz o que tem que fazer: aspirar a casa. Tirando o mérito de se ele é bom ou não na tarefa, a questão é que ele não se preocupa com outros habitantes da casa. Isto é, os engenheiros que o projetaram não se preocuparam se ele, além de executar sua tarefa, também o faz causando o mínimo de incomodação a seus donos.
O Roomba parece ter a estranha mania de me seguir pela casa, por exemplo. Se estou em um cômodo, ele tende a ir para aquele cômodo também. Eu sei, não é intencional e provavelmente um efeito psicológico fruto do fato de que eu só o noto quando ele faz isso, mas a questão é que eu gostaria que ele se dedicasse a não fazer isso. Ter um aspirador nos ouvidos enquanto se está vendo TV ou tentando trabalhar no computador pode ser bastante chato. E não é só o barulho, já que minha presença altera a forma com que o robô limpa o cômodo, geralmente batendo nos meus pés.
Com cada vez mais robôs fazendo trabalhos domésticos (fui de zero para um, representando um aumento de infinito porcento!) e comerciais/industriais, a Robótica Comportamental será a área que se preocupa em fazer com que robôs se comportem não de maneira apenas funcional, mas de forma harmônica com seres humanos (e se, no processo, deixar de assustar o bicho de estimação da casa, melhor). A área envolverá fortemente ramos da Psicologia e teremos muitos artigos científicos com títulos como "Efeitos de movimentos parabólicos na afeição para com robôs" ou "Criando vínculos de longo prazo com robôs domésticos".
E não será apenas com tarefas domésticas ou industriais que a Robótica Comportamental contribuirá. Será também com a melhoria dos atuais robo-pets - robôs de estimação como o Aibo, I-Cybie e outros. Serão desenvolvidos técnicas para alterar tais robôs de forma que nos afeiçoemos a eles com mais facilidade, ou que eles nos entretenham mais mais eficácia. No caso, será Robótica Comportamental pura, já que não há tarefas para serem cumpridas, o objetivo é unicamente a interação com pessoas. Muitas vezes serão coisas pequenas - adição de algum movimento ou comportamento aleatório, evitar repetições e outras coisas que hoje fazem até mesmo um Aibo parecer tão mecânico. É bem possível que chegaremos a conclusão que o que queremos é um robô que imite um cachorro, essa máquina viva evoluída em milhares de anos para nos agradar, mas que talvez não suje o tapete.
Enquanto escrevo isso me dei conta de que uma parte dessa área já é estudada na área de HCI - human-computer interfaces. Mas a Robótica Comportamental terá que levar adiante a idéia, já que boa parte da idéia não é sequer gerar interação com humanos mas, por vezes, evitá-la por completo. E certamente criar uma interface física, onde o próprio robô é meio de interação, torna tudo mais complicado.
Não deixa também de englobar áreas da Vida Artificial, mas a pergunta não seria como criar seres vivos ou definir o que é vida, mas sim responder a simples questão de "como fazer um robô parecer vivo?", se porventura descobrirmos (e acho que isso é razoável) que uma máquina que parece ser viva de uma forma bastante genérica é mais facilmente compreensível para humanos e, portanto, mais provável de não causar estranhezas ou medos.