[07 de maio de 2012]

Então, fiquei sabendo agora pela
editora Sulina que o meu livro
A Conversação em Rede: Comunicação Mediada pelo Computador e Redes Sociais na Internet chega na semana que vem às livrarias e começa a ser vendido também online. Ainda não temos previsão de evento de lançamento, mas se acontecer eu aviso. Para quem quiser saber mais, em breve teremos um hotsite. Enquanto isso, o release:
A conversação em rede: comunicação mediada pelo computador e redes sociais na Internet é o novo livro de Recuero que, com acuidade acadêmica, demonstra que as ferramentas computacionais há muito deixaram de ser apenas isso: ferramentas. Elas evoluíram para serem “espaços conversacionais” importantes, já que os usos que fazemos delas reelaboram a conversa, e esta passa a ter outras feições. Este livro tem mérito acadêmico por ser muito bem escrito e reunir elementos que certamente despertarão o interesse amplo de pesquisadores da área de Linguística Aplicada, da Comunicação Social, da Educação e de outras áreas afins. Isso se justifica na medida em que a autora oferece contribuições teóricas, metodológicas e empíricas para que se entenda melhor a conversa em rede à luz da Pragmática Linguística e da Análise de Redes Sociais. Graças aos distintos fios teóricos que o tecem, o livro mostra com lucidez que a conversação em rede não é somente aquela conversa tão antiga quanto a linguagem, mas, no contexto das ferramentas digitais, ela é uma “conversação emergente” que, em função dos usos das ferramentas computacionais, passa por vários processos de reelaborações. Como bem conclui Recuero, “o ponto fundamental é aquele onde essa conversação reconstrói práticas do dia a dia, mas que, no impacto da mediação, amplifica-se e traz novos desafios para a compreensão de seus impactos nos atores sociais”.
A apresentação do livro foi muito gentilmente feita pelo
Júlio Araújo.
Aqui tem
uma pequena amostra para quem quiser dar uma olhadinha no conteúdo. :D
Sumário
1 Comunicação Mediada pelo Computador e Conversação
1.1 A Conversação como Apropriação no Ciberespaço
1.2 Características da Conversação Mediada pelo Computador
2.1 O Ambiente da Conversação
1.2.2 Escrita “Oralizada”
1.2.3 Unidade temporal elástica: os tipos de conversação mediada
1.2.4 Públicas e Privadas: os Tipos de Conversação Mediada
1.2.5 A Representação da Presença
1.2.5 Migração e Multimodalidade
2 A Organização da Conversação Mediada pelo Computador
2.1 Turnos e Pares
2.2 Rituais da Conversação Mediada pelo Computador
2.3 A Noção de Polidez
3 O Contexto na Conversação Mediada pelo Computador
3.1 Microcontexto e Macrocontexto
3.2 A Contrução dos Contextos
3.3 A Recuperação do Contexto
3.4 A Negociação do Contexto
4 A Conversação em Rede
4.1 Problematizando a Conversação em Rede
4.1.1 Redes Sociais na Internet e Sites de Rede Social
4.1.2 O Capital Social e as Redes Sociais na Internet
4.2 Os Processos da Conversação em Rede
4.2.1 Perfis como Conversações
4.2.2 As Conexões e a Conversação
4.3 O Problema do Contexto
5 Estudando a Conversação em Rede
5.1 Mapas de Conversação em Rede
5.2 Efeitos e Impactos da Conversação em Rede
Considerações Finais: O Fenômeno da Conversação em Rede
A Conversação em Rede: A Comunicação Mediada pelo Computador e as Redes Sociais na Internet
Editora: Sulina
Capa: Eduardo Miotto
Preço de Capa: R$ 39,00
Nº de páginas: 238
ISBN: 978-85-205-0650-9
Departamento editorial e divulgação: (51) 3019. 2102
[01 de maio de 2012]
Nesta última sexta estive na FURG no
I Seminário Diálogos em Educação a Distância e o XI Encontro para ações em EaD (SEDEAD) para conversar com a audiência do seminário sobre Redes Sociais, Tecnologias e Educação. Prometi que disponbilizaria a apresentação que fiz, defendendo que pensemos a EAD e a Educação hoje a partir de novos paradigmas. Infelizmente, o PPT que tinha vídeos e animações ficou MUITO grande e não consegui deixar online na íntegra, então coloco o PDF. O pessoal da
SEAD também me disse que vai disponibilizar a íntegra da minha fala no site deles em breve.
Reflexões sobre Redes Sociais, Tecnologias e Educação (PDF)
[29 de abril de 2012]
Post com update de dados e de mais uma conta no dia 29/04, 14:18.
Pensando aqui em como usar grafos para compreender percepções dos eleitores a respeito dos pleitos resolvi (eu e o grupo de pesquisa) testar algumas coisas. Para isso, tomei como caso as eleições para a reitoria da
Universidade Federal de Pelotas, que tem
seis chapas com candidatos de vários institutos e centros. Algumas observações iniciais:
- Não trabalho na UFPel e não apoio (nem desapoio) nenhuma das chapas. Esse trabalho tem apenas o objetivo de tentar entender como as pessoas usam a mídia social para campanhas políticas e que tipo de dados podem ser observados.
- Apesar de ter procurado todas as chapas no Twitter, só consegui encontrar cinco. Vi que alguns candidatos estão fazendo campanha em contas pessoais, mas essas contas não entraram na coleta de dados, apenas as contas "de campanha", ou seja, que tinham o título da chapa. Chapa que eu não encontrei a conta: Chapa 5 – A UFPel pode mais: ciência, cultura e cidadania (Paulo e Fábio).
- Os alunos parecem pouquíssimo mobilizados. Em várias buscas pelo tema, encontrei poucas menções, a maioria relativa a contas de professores (e alguns funcionários). Poucos alunos manifestaram-se a respeito das eleições. Veremos mais adiante e mais perto do pleito.
- Por conta disso, analisei apenas os grafos/dados dos seguidores das contas. A hipótese era tentar compreender quem era o público que estava "escutando" aquela conta e/ou apoiando e que tipo de indicativo poderia ver nisso.
- As cores nos grafos representam os "grupos" de seguidores. Coletei 1,5 graus, ou seja, quem dos seguidores se segue também aparece no grafo. Quanto menos cores, maior o número de interconexões entre os nós; quanto mais cores, menor o número de interconexões. A idéia é mostrar (parcialmente) quantos "grupos" diferentes a conta tem entre os seguidores. A hipótese é que quanto mais diferentes os grupos de seguidores, maior a heterogeneidade/heterofilia da rede e maior a diferenciação na audiência, o que supostamente poderia ser bom para o candidato, uma vez que está atingindo não apenas um único grupo. Ah, os grupos aparecem divididos por Coeficiente de Clusterização. Usei o Clausett-Newman-Moore.
- Todas as chapas não usam o Twitter de forma conversacional. Coletando os dados das conversações, obtive pouquíssimas conversações com a rede em todos os casos. As contas, portanto, estão mais preocupadas em informar.
- Os nós maiores representam a conta coletada.
- Para ver a imagem em tamanho maior, clique no grafo.
Chapa 1 - Manoel e Márcia (A UFPel que você quer). Conta: @manoelemarcia. Seguidores: 148
Essa foi a chapa que parece abarcar, entre os seguidores, o maior número de grupos. Embora várias das contas pareçam inativas (com poucos tweets/nenhum tweet), tem um grande número de seguidores com também um grande número de seguidores, o que tecnicamente amplifica a audiência.
Chapa 2 - Odir e Alexandre (Juntos pela UFPel). Conta: @juntospelaufpel. Seguidores: 53
A conta dessa chapa concentra dois grandes grupos de seguidores: Aquelas da Computação/Informática/Tecnologia (azul claro) e aquelas da ESEF (Escola de Educação Física)(azul escuro), que são as áreas dos candidatos. É um grupo bastante fechado de pessoas, entretanto, bastante ativo.
Chapa 3 - Luciane e Margarida (Universidade Viva). Conta: @vivaufpel. Seguidores: 76
O grafo dessa chapa é bem semelhante ao da anterior. Há concentração de grupos de seguidores, notadamente entre Enfermagem (verde) e Meteorologia (azul). Suponho também que sejam as sedes dos candidatos. Também aparecem grupos fechados no grafo, entretanto, com mais grupos que a chapa anterior.
Chapa 4 - Mauro e Carlos Rogério (Reconstrução).(Essa contra agora mudou de nome p/ @MovReconstrução. Qdo coletei os dados, entretanto, o nome era @reconstruir_) Seguidores: 80
Essa é a conta mais clusterizada de todas. Interessantemente, apesar do destaque de dois grandes grupos que eu não consegui divisar direito porque há muita conta interna da UFPel, além de um grande número de contas vinculadas a veículos/blogs e pessoas da mídia. Basicamente, os grupos aqui seriam "UFPel"(contas vinculadas a cursos, docentes, setores e etc.) e "não-UFPel"(contas externas).
Chapa 6 - UFPel plural e participativa (Eliana e Miguel). Conta: @plural_ufpel
Essa foi a chapa com o menor número de seguidores (só 23) e por isso o grafo também ficou pequeno e pouco produtivo em termos de números. Entretanto, também temos dois grupos claros (interno e externo à UFPel, como na chapa anterior).
Outros Dados:
A tabela acima faz um resumo dos dados coletados. Temos o número da chapa em cima, o número de seguidores, o que eu chamei de "reach" que é o número total de nós da rede (1,5 grau de separação, ou seja, o número de nós que apareceu na coleta de dados e que de alguma forma está conectado à conta em questão), o grau de clusterização (quanto mais conectados estão os nós uns aos outros na rede, maior o grau).
O que esses elementos parecem dizer na minha interpretação:
Número de seguidores é a possível
audiência real que o nó tem, obviamente, quanto maior melhor seria (ressalvas que nem sempre número=efetiva atenção e podem aparecer contas inativas/spam);
Reach é outra medida possível de audiência em termos de rede, uma vez que indica quantos nós estão efetivamente conectados à conta em 1,5 graus (também parece ser da ordem do quanto maior, melhor, mas com a mesma ressalva anterior), creio que poderíamos chamar de
audiência potencial; e o
grau de clusterização pode indicar o quao
homogênea é a rede em questão. Neste caso, um número mais alto pode ser
ruim (menos audiência diferenciada) e bom (maior engajamento dos pares na campanha).
Todas as contas usam pouco o Twitter para construir relacionamento com os seguidores. Há vários nós comuns a todas as contas (suponho que pessoas indecisas, setores interessados em acompanhar o debate e etc.). Entretanto,
a conta que mais tem seguidores internos à UFPel é a @reconstruir_. A conta que tem maior número de seguidores e que parece ter maior audiência é a @manoelemarcia e a que mais reverbera (mais RTs e mais participação) parece ser a do @juntospelaUFPel. Importante salientar que esses dados foram coletados durante estas últimas duas semanas e que, portanto, podem não refletir mais a campanha na sua integralidade.
Pretendo fazer mais algumas coletas em momentos mais próximos ao final da campanha e às eleições. Vamos ver o que aparece e como os dados posteriores podem ser comparados a estes. Ah sim, se alguém souber as contas do Twitter das demais chapas, pode me enviar um email (ali em cima, embaixo da foto). Os comentários não estão funcionando. :-(
[16 de abril de 2012]
Já faz algum tempo que o estudo dos TTs (Trending Topics) e das hashtags no Twitter tem capturado a minha atenção. Junto com os dados a respeito do julgamento do STF a respeito da permissão do aborto nos casos de anencefalia, peguei também as hashtags com alguns resultados interessantes.Os dados abaixo são realtivos a uma amostra de cerca de 126 mil tweets do primeiro dia de julgamento, coletados com o auxílio da ferramenta
140kit que estou testando.
Foram citadas mais de
300 hashtags. Dessas, classifiquei as primeiras 100 (em freqüência de uso) apenas em "
informativas"(aquelas que diziam respeito a veículos de mídia e à própria cobertura do julgamento), "
favoráveis" (aquelas que claramente visavam destacar um posicionamento favorável à permissão, por exemplo, #afavordavidadasmulheres) e "
contrárias" (aquelas que claramente buscavam destacar um posicionamento contrário à permissão, por exemplo, #afavordavida).
Curiosamente, o número de tweets usando hashtags é imensamente maior entre
aqueles cujo posicionamento era contrário à aprovação do aborto nesses casos do que daqueles que não eram. Foram
6427 tweets utilizando hashtags contrárias, dos quais
5840 usando apenas a hashtag #afavordavida que praticamente reinou nos TTs durante quase toda a votação no primeiro dia. (Foram 22 tags coletadas nessa amostra de 100). Isso mostra uma organização grande em torno daqueles indivíduos que buscavam trazer uma posição contrária, enquanto pouca ou nenhuma organização daqueles que buscavam trazer uma posição favorável (por exemplo, o tópico contrário mais citado tem apenas 526 tweets). Em números totais, foram 1490 tweets usando hashtags, entre 16 tags diferentes. Em uma observação empírica, notei que, de um modo geral, o público favorável ao aborto comportou-se de forma menos organizada, com comentários sem hashtags ou com hashtags próprias, sem uma grande organização clusterizada. Por outro lado, aqueles que eram contra realmente pareciam organizados em termos de protestar e firmar uma posição conjunta.
Entre aqueles tweets informativos, a hashtag mais citada foi a #STF. Em seguida, vieram os veículos: #UOL, #Veja e #G1, nessa ordem. Aqui também tivemos 22 tags coletadas e mais de 1300 tweets que as utilizaram. Ainda sobraram hashtags de spam que têm aparecido em todo dataset focado em um tópico relevante que está na "pauta do dia" do Twitter e mais algumas cujo contexto não foi possível de ser reproduzido, mas todas com um número pequeno de tweets associados.
[13 de abril de 2012]
Nos últimos dias estive acompanhando o julgamento, pelo STF, a respeito da permissão de interrupção da gravidez em casos de anencefalia. Esse foi um dos eventos onde, independentemente da opinião, a mídia social mostra seu caráter mais democrático. Coletei mais de 86 mil tweets a respeito do evento,
via 140kit e pude analisar várias presenças, conversações e opiniões sendo propagadas. Em que pese a construção de arenas de conflito, em vários casos, a esfera pública criada pela mediação é evidentemente democrática.
A Conectividade e as Redes Heterogêneas (ou heterófilas)
Um dos elementos que me parece relevante considerar, em princípio, é
a questão da conectividade. Grupos sociais tendem a ser bastante homogêneos, ou seja, a congregar indivíduos que tem backgrounds, crenças, classe social e etc. bastante semelhantes. Em geral,
as pessoas com quem temos maior contato, ou seja, nossos laços mais fortes, costumam ser extremamente semelhantes a nós mesmos. A heterogeneidade é dada pelos laços mais fracos (pessoas que são diferentes de nós), com quem, no espaço offline, interagimos muito pouco. Um dos grandes fatores de mudança da mídia social é tornar as pessoas mais conectadas. A prática de adição de pessoas na rede torna a todos muito mais conectados e com isso, expõe os grupos a uma maior heterogeneidade. Ou seja, porque o Facebook, o Twitter e outros sites de redes sociais nos deixam mais conectados, eles também são capazes de nos colocar em contato com pessoas diferentes de nós e com opiniões e pontos de vista que nem sempre compartilhamos. Isso é potencialmente gerador de conflito? Claro.
Mas também é potencialmente gerador de novas idéias, questionamentos e dúvidas.
A Mídia Social e a Esfera Pública no Julgamento: Alguns Apontamentos
Apenas para exemplificar essa questão, reproduzo abaixo um dos mapas que fiz a respeito dos tweets que continham palavras-chaves referentes ao julgamento (amostra de 4330 tweets, usando o
NodeXL). Os nós estão aumentados pela quantidade de seguidores que foram influenciados pelos tweets (ou seja, quantas pessoas que seguiam A efetivamente tomaram parte na conversação). Quanto maior, mais pessoas. A cor dos nós representa a posição: Azul eram favoráveis, vermelhos eram contrários, verdes eram os veículos que estavam fazendo a cobertura.
Para ver o grafo maior, basta clicar.
Vejam que, curiosamente,
ambos os lados estão interconectados. Há vários "usuários-pontes" que fazem essa interconexão por seguirem/comentarem/citarem posicionamentos diferentes. Há citações entre os defensores/críticos dos posicionamentos dos ministros. Também é interessante que entre os mais citados estão, justamente, os veículos que estavam fazendo a cobertura minuto a minuto, mostrando que houve um interesse generalizado em repassar essas informações. Para mim, são esses elementos que tornam a mídia social um importante espaço de difusão e debate de idéias.
Nos próximos dias vou mostrar mais dados, como por exemplo, como os ministros do STF acabaram por tornar-se "celebridades" momentâneas durante o julgamento, tornado-se TTs, quais palavras foram mais associadas com essa perspectiva e que outros elementos nos informam mais a respeito dessa nova
esfera pública.
[11 de abril de 2012]
Pensando um pouco sobre os conceitos de influência, influenciadores e redes sociais nos últimos tempos, ando coletando comportamentos associadoss a memes e a difusão de idéias. Recentemente, trackeei um meme criado no Twitter,
o #DesafioSubCelebridade. A questão pra mim é entender quem influencia a propagação do que. Aparentemente, ter muitos seguidores não é necessariamente uma relação direta com influência, como
esse trabalho já mostrou. Mas fico pensando o quanto a visibilidade de usuários ativos não pode implicar em influência na criação de TTs.
Pois bem, estudando a difusão da tag #DesafioSubCelebridade, temos cerca de 8 mil tweets citando-a durante um período curto de tempo, ao longo de um dia, (o que garantiu a sua estada nos TTs brasileiros por várias horas).
Mapeando os usuários mais influentes em termos de menções e retweets dos primeiros quatro mil tweets temos claramente o aparecimento de usuários muito bem conectados como aqueles que fundamentalmente deram visibilidade para o meme: @bicmuller, @naosalvo, @bobagento e @pecesiqueira . Esses usuários foram os mais citados e retuitados no início do meme. Talvez os RTs de suas postagens tenham influenciado a propagação do meme e estimulado outras pessoas a também repassá-lo. No mapa abaixo, temos as citações.
E nesse mapa, a seguir, vemos como esses usuários influenciaram suas conexões. Vejam que o meme espalhou-se entre pessoas que se seguiam entre si e que inicialmente influenciam laços mais próximos (indicados pela clusterização) de atores que estão interconectados.
De uma certa forma, isso parece corrobar a idéia de que determinados tipos de influenciadores com muitos seguidores podem sim dar visibilidade para algumas idéias. A questão é: quais? Em termos de memes engraçados e divertidos, parece funcionar bem com influenciadores muito conectados. Mas e em outros tipos de memes? E com outros tipos de informação? Basta o meme ser legal para despertar a atenção das pessoas ou é preciso uma ação no sentido de popularizá-lo? Questões para futuro debate. :)
[03 de abril de 2012]
[19 de março de 2012]
VII Seminário Nacional Sobre Linguagem e Ensino (VII SENALE)
Ensino e linguagem: novos desafios
Universidade Católica de Pelotas
Pelotas/RS – 3, 4 e 5 de outubro de 2012
APRESENTAÇÃO
O VII Seminário Nacional sobre Linguagem e Ensino de Línguas (VII
SENALE), cujo tema é “Ensino e linguagem: novas desafios”, será
realizado de 3 a 5 outubro de 2012, numa promoção do Programa de
Pós-Graduação em Letras da Universidade Católica de Pelotas.
A proposta é dar continuidade ao trabalho que tem norteado
historicamente a sua realização, qual seja o de proporcionar, além da
maior interação possível entre professores dos diferentes níveis de
ensino e pesquisadores de instituições universitárias, uma reflexão
sobre problemas ligados ao ensino de língua materna e de língua
estrangeira.
Sua direção é essencialmente pragmática, propondo-se a criar condições
para o debate sobre a intervenção das diferentes teorias lingüísticas
no processo ensino-aprendizagem de línguas, enfrentando, nesta nova
edição, os novos desafios decorrentes das mudanças operadas pela
contemporaneidade na língua(gem). Confrontar os avanços científicos e
tecnológicos com a realidade da sala de aula poderá servir para
inovar, mas também para relativizar posições e concepções acerca da
viabilidade e aplicabilidade desses conhecimentos para o
desenvolvimento das aulas de língua materna e de línguas estrangeiras.
As estratégias previstas na organização do evento prevêem o
entrecruzamento da produção científica com as práticas pedagógicas e
deverão se constituir numa intervenção benéfica no campo das práticas
de ensino de línguas, seja propondo novas formas, questionando-as ou
comparando-as com as já estabelecidas.
Para isso, propõe-se uma programação que contemple a dimensão
pragmática das atuais e principais concepções lingüísticas, suas
possibilidades e limites de aplicação no que diz respeito ao processo
ensino-aprendizagem de línguas. Haverá palestras, mesas-redondas,
conferências, comunicações (individuais e coordenadas) e minicursos a
serem desenvolvidos por pesquisadores de diferentes instituições
universitárias do país.
Modalidades de apresentação
São as seguintes as modalidades previstas para a apresentação das
propostas, que deverão ser feitas online no site do evento a ser
divulgado em breve:
- Comunicações individuais
- Simpósios
Normas para a elaboração e submissão das propostas
As comunicações individuais e simpósios deverão respeitar os eixos
temáticos propostos, devendo os autores indicar no texto do resumo a
qual eixo sua comunicação se destina.
- Comunicação Individual: resumo, de no máximo 300 palavras, cerca de 24 linhas, , nome e sobrenome do comunicador por extenso e à esquerda, seguido da instituição entre parênteses, três palavras-chave;
- Simpósios: o nome do coordenador, instituição, título e resumo da temática e títulos e resumos de cada trabalho, num máximo de 5, paraum turno, e de 10, para 2. Somente poderão propor Simpósios doutores ou doutorandos. Podem ter mais de um coordenador, desde que de instituições diferentes. Os resumos deverão seguir as normas para comunicação individual.
Linhas temáticas
Aquisição de linguagem, variação e ensino: um balanço
Ensino e novos perfis dos professores: propostas
Dialogismo, gêneros e ensino: perspectivas
Discurso, enunciação e ensino: rumos
Gênero social, linguagens e ensino: um panorama
Linguagem, cognição e ensino: novos espaços
Linguagem, semiótica e ensino: interfaces
Linguagens e letramentos: questões
Tecnologias e ensino: novas perspectivas
Variação linguística, identidades e ensino: reflexões
Prazos
No interesse dos proponentes, para que tenham tempo de encaminhar
solicitações de auxílio, os resumos das comunicações, submetidos até
30 de maio, serão respondidos até 30 de junho, através de informe
eletrônico. O último prazo para envio das propostas é 15 de junho,
com o compromisso da Comissão Científica em dar uma resposta até 15 de
julho. A aceitação do trabalho, neste último caso, dependerá não só do
mérito da proposta, mas também das limitações de espaço e tempo
disponíveis na grade da programação.
Publicação
Haverá duas formas de publicação dos trabalhos: em CD-ROM e em livro.
No CD-ROM, todos os trabalhos entregues durante o Seminário serão
publicados integralmente, sem revisão pelos editores, mas com
indexação automática (incluindo palavras do texto, nome dos autores,
tabelas, gráficos, figuras, etc.). Para o livro, haverá uma seleção
dos trabalhos, que serão avaliados por especialistas da área a serem
convidados pela Comissão Científica do evento e posteriormente
revisados, editados e publicados. Os trabalhos deverão seguir as
normas da ABNT e ser entregues no dia da apresentação em cópia
impressa e em disquete.
Investimento
Pesquisadores e Professores
Até 30/07/2012
R$ 100,00
Após 30/07/2012
R$ 130,00
Alunos de Pós-Graduação
Até 30/07/2012
R$ 80,00
Após 30/07/2012
R$ 100,00
Alunos de Graduação
Até 30/07/2012
R$ 50,00
Após 30/07/2012
R$ 70,00
Professores Municipais e Estaduais
Até 30/07/2012
R$ 50,00
Após 30/07/2012
R$ 70,00
Demais interessados
Até 30/07/2012
R$ 130,00
Após 30/07/2012
R$ 150,00
Endereço para contato
Programa de Pós-Graduação em Letras
Rua Félix da Cunha, 425
CEP: 96010-000
Telefone: (53) 21288242
E-mail: senale@@ucpel.tche.br
COMISSÃO ORGANIZADORA
Adail Sobral
Aracy Ernst (presidente)
Vilson Leffa
COMISSÃO CIENTÍFICA
Adriana Fischer
Andréia Rauber
Carmen Matzenauer
Eliane Campello
Fabiane Marroni
Hilário Bohn
Márcia Zimmer
Raquel Recuero
[07 de março de 2012]

Semana passada aconteceu, em San Francisco (EUA) o congresso do
Digital Media and Learning 2012 , organizado pelo grupo do Digital Media and Learning Iniciativa e do
DML Central (do qual participo). O grupo é dedicado a discutir e promover iniciativas de aprendizado/troca de experiências/ informações cujo foco seja o
uso da mídia digital na educação. Pois bem, no evento, foi lançada uma nova iniciativa do grupo que é coordenado pela
Mimi Ito, o
Conncted Learning, com
uma rede de pesquisa e um
site para a comunidade.
Aprendendo em Rede
O princípio da iniciativa é mudar o modo de ver a educação, pensando em novas formas de desenhar e produzir experiências de aprendizado. O ponto principal é que aprender é parte de todos nós e que a midia digital pode proporcionar experiências realmente inovadoras de aprendizado. O ponto fundamental de mudança que o Connected Learning traz e que pra mim é o essencial é que a mídia digital é uma facilitadora. O problema não é mais a informação, o conteúdo que precisa ser entregue, mas o modo de se construir o aprendizado. Com isso, a proposta é facilitar, proporcionar, criar ambientes que auxiliem as pessoas com interesses semelhantes a conectar-se e aprender juntas. Com isso, o aprendizado em rede é pensar a educação como uma rede de pessoas, instituições e conhecimento; é um processo de guiar a participação; integrar diversos elementos da sociedade que não necessariamente estão ligados diretamente à educação em si e mesmo, criar as condições para a construção coletiva do conhecimento são algumas das coisas que a proposta visa discutir.
Princípios
O
Connected Learning é guiado por uma série de princípios. Há três
princípios de aprendizado que norteiam o Connected Learning: a) Interest-Powered (Alimentação pelo interesse) - Pra mim esse é o mais fundamental dos princípios. Quem dirige o aprendizado somos nós mesmos com base no nosso interesse. Aquilo que buscamos porque queremos é poderoso em termos de aprendizado. O interesse é que alimenta a nossa busca pela informação. A mídia digital contém hoje uma quantidade imensa de informações que são mediadas pelo nosso interesse. b) Peer-supported (suporte de pares) - Com interesses em comum é muito mais fácil a gente conseguir encontrar pessoas que auxiliem de forma direta e indireta aquilo que buscamos em termos de aprendizado. Aprendemos conectados a outras pessoas. E a mídia digital suporta esse encontro, principalmente pela mídia social. c) Academically oriented (orientação acadêmica) - O princípio é que essa experiência é conduzida por pesquisas e pelo conhecimento acadêmico. Os
princípios de design que guiam o CL são: A) Centramento na produção, b) abertura de redes e c) propósitos comuns. Finalmente, o mais importante, são os
princípios centrais da experiência:
- Igualdade: Abertura das oportunidades de educação para todos;
- Conexão Social: O aprendizado é relevante quando parte de relações sociais e práticas comuns das pessoas, de suas culturas e suas identidades.
- Participação Total: Os ambientes de aprendizado, a vida social e civil das sociedades crescem quando há membros engajados e participantes ativos do processo.
Site e Webinars
Essa é um pouco da perspectiva filosófica por trás do Connected Learning. Mas não é só isso. A iniciativa está proporcionando
Webinars semanais para trazer elementos para a discussão,
divulgando casos,
divulgando suas pesquisas e criando
arquivos de fontes que são interessantes para todos os educadores. Acho que vale a pena conferir o site, os webinars e os arquivos. A idéia é central para todos nós e pra mim, é particularmente relevante, porque reflete um pouco do que eu também acredito que deva ser a grande mudança da Educação no século XXI.
[18 de fevereiro de 2012]
Pessoal, acabei de disponibilizar o capítulo extra da segunda edição do "Redes Sociais na Internet"
aqui. É uma versão rascunho, portanto, com alguns errinhos, mas complementa quem comprou/baixou a primeira edição.
[15 de fevereiro de 2012]

Em 2009, tive a oportunidade de realizar um longo trabalho para uma empresa americana de jogos para o Facebook. Nesse trabalho, pude estudar a fundo vários jogos e vários usuários e compreender um pouco da dinâmica dessas práticas sociais e sua evolução (um dos textos está
aqui). Hoje, estava lendo várias matérias sobre a Zynga e o fato de que
os jogos antigos ainda são os mais rentáveis da companhia, sobre a questão das
práticas de jogo e do aumento pequeno do número de jogadores. Fiquei pensando em uma série de coisas que eu aprendi em 2009 e que ainda parecem relevantes.
Os jogos, as redes e os Sites de Rede Social
Em primeiro lugar, os jogos da Zynga, como a maior parte dos "jogos sociais" (aqui me refiro aos jogos que funcionam prioritariamente em SRSs) são bastante simplificados. Os mecanismos de jogo, os gráficos e etc. são muito aquém daqueles que os gammers estão acostumados. Por isso, são jogos que atingem outra fatia da população, o jogador "casual", ou seja, quem só quer jogar um pouquinho para desestressar e não está interessado em "terminar" o jogo ou mesmo ficar horas para conseguir alguma recompensa (o perfil do jogador é diferente, embora vários acabem ficando jogando por várias horas). Além disso, esses jogos têm um claro apelo social: boa parte da diversão vem do fato de seus amigos também jogarem, de uma rede social "adotar" o jogo.
A grande questão aqui é que as redes sociais interagem com o jogo criando novos sentidos e novas práticas, que constituem na apropriação. Assim, jogos como o Mafia Wars, o primeiro grande sucesso da Zynga, só funcionaram porque os usuários construíram um "mundo" além do jogo (
falei sobre isso aqui), uma imensa participação da rede fora do sistema da Zynga e dentro do próprio Facebook. O Farmville, do mesmo modo, também é um jogo que teve uma rica apropriação fora dele, através da personalização das fazendinhas, da competição pela aparência da mesma e de outros sentidos criados pelos usuários
O principal problema é que essa apropriação não é garantida.
Não há fórmulas mágicas para fazer um jogo social de sucesso. A cada novo jogo criado, mudam-se as configurações do sistema, mudam-se os usuários. Isso porque esses jogos são dependentes das práticas das redes no Facebook, e essas práticas estão sempre mudando. O Facebook de hoje não é o mesmo de seis meses atrás e nem o mesmo do ano passado. Muito menos o mesmo de 2008 e 2009, quando Mafia Wars e o Farmville explodiram. O que eu quero dizer com isso?
Novas apropriações surgem o tempo todo e vão mudando o sistema e isso reflete nas práticas sociais que refletem também nos jogos. Enquanto em 2009 o FB era largamente usado para jogar aqui no BR, e os aplicativos constituiam-se na parte mais interessante do sistema,
hoje há outros espaços disputando a atenção, como a própria timeline que, com a possibilidade de bloquear as inúmeras chamadas/informações dos jogos também contribuiu para essa mudança. Por outro lado, outras formas de disputar a atenção emergiram, como os memes (que todo mundo reclama, mas continua olhando).
Essas mudanças de configuração no sistema afetam também o modo através do qual as pessoas vêem os jogos e o engajamento neles.
Aprender a adaptar
Ou seja, meu argumento é que
não é surpreendente que os novos jogos da Zynga baseados na mesma fórmula e com elementos quase iguais não estejam, nessas configurações atuais do FB,
indo tão bem quanto os antigos. Embora meu exemplo aqui seja focado na apropriação brasileira, vejo indícios semelhantes de uso em outros países. Não é que a fórmula canse. É que o sistema mudou e novas coisas passam a ocupar o tempo das pessoas. Vejam, não estou dizendo que os jogos vão acabar, apenas fazendo uma consideração a respeito da inovação e da influência das apropriações das redes no pré-existente. O capital social muda suas formas de imbricar-se na rede. Os valores mudam. Acredito que ainda há muito espaço para os jogos sociais, mas é preciso observar a apropriação dos usuários para poder manter a inovação.
A adaptação é fundamental.
A questão-chave aqui é que penso que é uma lição válida para todos que trabalham com mídia social:
O sistema está sempre mudando. E quando eu digo sempre, quero dizer SEMPRE mesmo. O que deu certo ontem pode não dar hoje. O que provou ser uma fórmula de sucesso por dois meses pode subitamente resultar em fracasso. De novo: não há formulas máginas. Pra mim,
a única forma de entender a mídia social é estar SEMPRE ouvindo o usuário, sempre observando o usuário e estar sempre atento ao que está acontecendo no sistema. As práticas de jogo nos sites de rede social, como todas as práticas nessas ferramentas estão SEMPRE mudando. E é preciso adaptar as propostas, criando condições para que as apropriações surjam, com base naquilo que são os
valores de capital social no sistema. Assim, é preciso adaptar-se constantemente, e nunca perder de vista o campo e as mudanças que emergem nele.
Para acompanhar mais sobre jogos sociais:
Quem tem estudado mais a fundo os jogos é a
Rebeca Rebs.
Inside Social Games
Dados dos jogos no Facebook.
[03 de fevereiro de 2012]
Uma das pesquisas em cima das quais me debrucei nos últimos tempos é a respeito das redes que estão influenciando os tópicos no Twitter. Se você usa a ferramenta deve ter percebido já que, nos últimos meses, cada vez mais os chamados TTs, redutos do que está "trending" no mundo e no Brasil, parecem ter sido povoados pela ação de grupos organizados. O que eu quero dizer com isso? Que tem grupos se organizando para conseguir visibilidade para seus tópicos e tags e esses grupos estão apropriando a lista de TTs no Brasil como um todo.
Estou chamando esses tópicos de "
artificiais", em oposição aos "
orgânicos", que constituem aquilo que o próprio Twitter afirma que é o
objetivo dos TTs ("ajudar as pessoas a descobrir quais são 'as últimas histórias' ao redor do mundo"). Enquanto esses tópicos "artificiais" são construídos por um pequeno grupo que faz muito barulho de forma coordenada e organizada, os tópicos organicos são compostos pelas conversações de vários grupos diferentes, a respeito de um mesmo assunto. Enquanto os primeiros não representam "tendências" por assim dizer, mas a força da organização da rede, os segundos representam sim o que está acontecendo. Vejam os mapeamentos.
Rede de seguidores que tuitaram a tag "#Compreimagazineluizanãoentregou"
Nesse primeiro exemplo, mapeei um tópico "artificial": #compreimagazineluizanãoentregou. O tópico foi criado por uma consumidora, para reclamar da entrega de um produto comprado no Magazine Luiza. A consumidora em questão solicitou a sua rede que a ajudasse para que a loja entregasse finalmente o produto. O grupo respondeu repassando a tag entre si e utilizando as conexões para fazer com que a mesma entrasse na lista do top 10. Também ajudou o fato de que a pessoa que fez o pedido fazia parte de um fandom (Luan Santana, se não me engano), o que permitiu que ela usasse, nesse espalhamento artificial, o expertise do grupo (já falei sobre os fandoms e os TTs
aqui). Reparem no quão clusterizada é a rede: isso indica uma forte participação de pessoas que se seguem entre si, ou seja, que possuem conexões anteriores. Defendo que essas conexões ativam laços mais fortes e um tipo diferente de capital social, focado no engajamento e no compromisso coletivo.
Rede de seguidores que tuitaram a tag "#10pessoasqueeupegaria".
Reparem que essa segunda rede é
muito menos densa,
muito menos clusterizada. Ou seja, embora em cada uma dessas duas redes eu tenha pego um número semelhante de tweets, na primeira parece existir um grupo muito mais ativo de pessoas que se seguem e que tuitam a tag do que nesse segundo grupo. Embora essa segunda tag seja um meme, ela é muito mais emergente, ou seja, trafega mais pelos laços fracos do que efetivamente pelas pessoas que se seguem entre si. É nesse ponto que reside o que eu chamo de artificialidade nos TTs. Enquanto esta última rede reflete o fato de que várias pessoas estão falando sobre o assunto em redes diferentes, na primeira rede temos um grupo pequeno produzindo uma grande quantidade de tweets.
Mas quais as implicações disso?
Já defendi aqui, em outras ocasiões, que o principal valor do Twitter, enquanto site de rede social, está na
informação que circula na ferramenta. Essa informação depende de um filtro dinâmico, que é a rede social, e da visibilidade que recebe nas redes para ser valorizada. Os TTs deveriam refletir, ainda que parcialmente, esse valor. No entanto, com essa apropriação recente,
os Trending Topics estão deixando de ser um espaço de informações que estão sendo filtradas como relevantes e
tornando-se um espaço de manifestação e disputa pela atenção e visibilidade. E isso pode reduzir o valor dos TTs, a curto e médio prazo, como ferramenta informativa e amplificar essa desvalorização para a ferramenta. É um risco. Ou ainda, essas disputas podem tornar o Twitter mais atrativo para outros públicos, reduzindo o valor para os atuais usuários. De qualquer forma, é uma tendência interessante que merece ser seguida.
Os resultados que eu expus aqui brevemente são de uma pesquisa com mais de 500 TTs brasileiros recolhidos e mais de 50 mil tweets coletados e mapeados. Não detalhei os resultados com maior precisão porque estou aguardando a publicação do paper em que discuto isso. Assim que sair, linko. :)

Caros leitores, estive em período de férias do blog, trabalhando em algumas pesquisas e propostas que precisavam ser terminadas. Este mês então, retorno com várias novidades. :-) A que eu queria comentar hoje é que saiu a segunda edição do meu livro "Redes Sociais na Internet" (
Editora Sulina e co-edição da
Cubo.cc). Essa segunda edição tem um
capítulo extra que há horas eu queria escrever mas ainda não tinha tido tempo e oportunidade. É um capítulo chamado "Perspectivas de Estudo das Redes Sociais na Internet". Ali, foquei brevemente vários modos de estudar as redes sociais, focando três perspectivas, o mapeamento de rede, o estudo das conversações e interações e as abordagens que misturam essas duas perspectivas. A idéia de fazer essa introdução focando quem estuda e como estuda nasceu um pouco das dúvidas dos leitores e o objetivo é conduzir por pensar formas de estudar essas redes. :)
Essa questão dos métodos de estudo é bem complexa e tem um capítulo a respeito no meu outro livro, o
Métodos de Pesquisa para Internet (c/ Suely Fragoso e
Adriana Amaral) e abordarei de modo mais específico e mais aprofundado no meu novo livro, o "Conversações em Rede" que deve sair em breve.
[09 de dezembro de 2011]
Vários de vocês devem estar sabendo do debate que corre pela Internet brasileira a respeito da Usina de Belo Monte e sua instalação. Esse debate aconteceu de forma particularmente forte durante a última semana de novembro, por conta do lançamento de um vídeo com atores da TV Globo, criticando a instalação da Usina e o apoio do governo federal. Achei que era algo interessante de mapear e experimentar algumas coisas e passei alguns dias coletando tweets e juntando arquivos a respeito do fato. Coincidentemente, enquanto eu procurava coletar os dados e estudar suas relações, o You Pix fez
esse post que resume a coisa toda. E também sintetiza a minha pergunta:
o que a Internet acha de Belo Monte?
Para tentar entender como estão acontecendo essas manifestações, coletei cerca de 3 mil tweets (recorte pequeno), mas como me interessavam as relações mais explícitas de conversação, no mapa a seguir constam apenas aqueles que referenciam outros twitters, ou seja, que retuítam, mencionam ou respondem outros twitters. Os nós vermelhos são aqueles que se manifestam de forma clara em relação ao apoio de Belo Monte e os azuis, o que se manifestam no sentido oposto, contra Belo Monte. Os nós pretos são aqueles em que não foi possível inferir o contexto da mensagem e os cinza, aqueles que optaram por construir um contexto "neutro", ou seja, simplesmente postando uma notícia informativa ou fazendo um comentário no sentido de não entender o debate. (Clique na imagem para ver em tamanho maior.)
Algumas coisas interessantes:
O nó com maior grau in, ou seja,
o mais citado de todos é o @blogplanalto. É o mais citado entre aqueles que
apoiam o projeto e seus tweets, os mais retuitados. Curiosamente, é um dos poucos nós que
NUNCA (durante a coleta de dados) respondeu ou tomou parte no debate. De longe, entre todos aqueles no dataset que apoiaram explicitamente Belo Monte, o blog do planalto é o nó que
mais influenciou tweets e gerou
comentários de apoio. Há outros nós que também recebem um grande número de retweets, mas poucos também têm um grau out alto (ou seja, respondem a outros nós). Veja na imagem abaixo o grafo do @blogplanalto e as citações entre aqueles que o citaram. (Importante salientar que cada conexão pode representar muito mais do que apenas um tweet nesse grafo.)
Do outro lado, ou seja, daqueles que são
contra a instalação da usina,
não há ninguém com um grau de citações tão alto quanto o @blogplanalto. Mesmo entre os que têm um alto grau in, ninguém chega sequer a metade das citações dele. Entretanto, ao contrário da rede de apoio,
há muito mais pequenos nós fazendo barulho. Ou seja, mesmo sem ter um nó tão central quanto o outro grupo, os críticos são muito mais eficientes em
descentralizar, criar outros nós que são bastante citados. Dentre os mais citados: @xinguvivo, @gotadaguabr, @florestafaz e outros. Os nós desse grupo também são
mais conversacionais no sentido que citam outros e respondem a outros (ou seja, possuem um grau out maior). Veja no exemplo abaixo como há mais citações e respostas no grafo, por exemplo, do @xinguvivo, com mais conversações e citações internas à rede. Aqui, as conexões entre os nós são igualmente fortes (cada conexão entre os nós que também citaram o @xinguvivo representa mais de um tweet), e não apenas aquelas de citação direta do nó central.
Achei interessante observar também que há
um grupo grande (no centro do grafo) que está debatendo mais abertamente o projeto, lançando mão de retweets contrários e favoráveis, explorando bastante o que os demais dizem. Além disso,
note-se que dentro do mesmo grafo temos as duas posições, graças a tweets desse grupo central, que estabelecem uma ponte entre os vermelhos e azuis.
E o que isso quer dizer?
Essa é uma análise superficial que coloco aqui apenas para ilustrar algo que me chama a atenção: A Internet (ou, ao menos, o Twitter) está sim,
debatendo Belo Monte. Essa interpelação por parte de outros usuários envolve pessoas que acabam por
estabelecer algum posicionamento ou procurar algum tipo de informação sobre o projeto (por exemplo, o número de tweets cresce nos dias que se seguem ao video da globo, claramente criticando-o ou defendendo-o). E isso me interessa particularmente porque é, de uma certa forma, o estabelecimento de uma esfera pública onde pessoas contrárias e favoráveis estão obtendo algum sucesso em manifestar-se na rede. E isso me parece bastante democrático. Claro que esses dados serão mais explicitados no futuro, mas por enquanto, servem para pensar. :)
[22 de novembro de 2011]

Hoje
foi divulgado um novo estudo sobre o Facebook (na verdade,
novos dados) e o quão conectadas estão as pessoas. Dentre os nomes por trás do trabalho está o do Jon Kleinberg, respeitadíssimo no mundo dos estudos sobre redes. Bem, nenhuma surpresa, o trabalho apontou que o grau de separação médio entre quaisquer duas pessoas no Facebook é de 4,74, ou seja, bastante inferior ao popular 6 (6 graus de separação) do famoso estudo do Milgram em 1967. (Para quem não conhece,
o experimento do Milgram pode ser lido aqui. )
A novidade, na verdade, não é bem uma novidade. Afinal de contas, sabemos que os sites de rede social complexificaram os conceitos de "amigos" e "conhecidos", de forma bem diferente daquela do estudo do Milgram. Primeiro porque, como eu já expliquei em alguns artigos, o custo de criação e manutenção de conexões sociais nessas ferramentas é muito baixo. Ou seja, é
natural que as pessoas tenham mais conexões no online do que efetivamente são capazes de manter no offline. Assim, você deve ter muito mais "amigos" no Facebook do que realmente tem na vida offline. Isso porque muitos dos seus "amigos" no Facebook são pessoas que você mal conhece, que foram colegas antigos ou mesmo amigos de amigos. Com isso, as redes sociais que são apresentadas na ferramenta são muito maiores do que as redes sociais offline. Por exemplo, os mesmos dados do estudo mostram que a média de amigos no FB é de
190 pessoas. O número, embora relativamente baixo para sites de rede social, é muito alto se compararmos com o offline. Quem é que tem e consegue manter
190 amigos de verdade?
O elemento mais importante, entretanto, é que essa prática social de acrescentar pessoas tem um impacto muito relevante no mundo.
Quanto mais amigos você e seus amigos têm, mais interconectada é uma rede. Mais próximas ficam as pessoas dentro dessa rede. E
menor é o grau de separação entre todos. Quanto mais próximas as pessoas, mais elas podem interagir entre si e receber informações. Aliás, mais rápido circulam essas informações dentro da rede. Ou seja, é porque as pessoas apropriam as redes como um espaço de coleção de conexões que as informações circulam mais e mais rápido (e não falo só de informações jornalisticas ou memes, mas igualmente de informações sociais - o popular social browsing, prática comum nos SRSs). Assim,
ter conexões na rede é um valor, é um tipo de capital social relevante que traz aos membros da rede benefícios. A rede social online, portanto, é sim diferente da offline. Ela é mais fácil de ser mantida e tem um impacto muito grande em vários aspectos da vida das pessoas.
Assim, embora o trabalho do time do Facebook não seja comparável com o do Milgram (que usou redes offline, muito menores e mais limitadas), traz elementos importantes, como a evidência final de que esses sites reduzem sim a distância da rede social. Resta agora, tentar compreender que tipo de efeitos isso tem na circulação de informações na sociedade como um todo.
A minha hipótese é que nas redes online as pessoas têm acesso a valores diferentes de capital social do que aqueles das redes offline. Com isso, tipos de informações diferentes circulariam nas duas redes (já defendi isso em outros artigos, como
este).
[18 de novembro de 2011]
Durante os últimos dias, dois eventos aconteceram de forma quase paralela, ambos sendo comentados e discutidos via Twitter: o Seminário Internacional de Comunicação na PUC/RS e a ABCiber, na UFSC em Florianópolis. Aproveitando um tempinho e o meu interesse nas conversações online, mapeei rapidamente o dia nos eventos no Twitter e fiz os grafos abaixo. Só foram mapeados os tweets que continham as hashtags (quem não usou as hashtags, portanto, não vai aparecer).
ABCiber 2011
O primeiro grafo mostra quantos nós participaram da conversa, seja tuitando sobre o evento, seja citando e retuitando quem estava falando sobre. No segundo grafo, temos os atores que foram mais citados no twitter (citação= menção e retweet manual apenas, não contei replies e retweets automáticos). Dados gerais: 1421 tweets coletados, 140 atores, geodésica máxima 5, média, 2,55; máximo de menções por ator 82 e máximo de citações recebidas por ator, 19).
Atores mais citados: @abciber2011, @erickfelinto, @fernandabruno, @marcobonito, @adriaramaral, @silvanadalmaso, @sibonei, @otiagomp. (Contando acima de 10 citações e em ordem, sendo que os dois primeiros atores concentram mais da metade do total de citações.)
Seicom 2011
De novo, no primeiro grafo temos a conversa geral capturada em termos de citações, tweets e menções; no segundo, os atores mais citados. Dados gerais: 1529 tweets, 183 atores participaram. Geodésica máxima, 5, média, 2,81, número máximo de menções por um ator: 82 e a um ator: 20.
Atores mais citados: @seicom2011, @trasel, @alexprimo, @ubimidia, @ubitec2011, @eusoufamecos, @soniamontano2, @gabizago, @mcaquino, @rebecarebs, @gisareginato e @midia8. (Contando acima de 10 citações. Há uma distribuição mais igualitária de citações entre os nós, tirando, novamente, os dois primeiros.)
[07 de novembro de 2011]

Certamente você já deve ter notado, mas nos últimos tempos, um movimento bastante curioso começou no Facebook: aquele da criação de centenas de memes, com uma pequena variação, que são rapidamente espalhados pelas redes e invadem e dominam o stream social da ferramenta (também conhecido como "news feed"). É um fenômeno que tem chamado bastante a minha atenção. Primeiro porque desde os tempos do boom dos blogs eu não via tanto meme e segundo porque o seu espalhamento é bastante grande. Pensando um pouco sobre as causas e efeitos desses memes elaborei algumas reflexões.
Os tipos de memes e sua função no Facebook
Os memes nas redes sociais online têm aparecido com duas funções recorrentes:
identificação e sociabilização (já falei disso em artigos antigos, vejam na sessão papers). Há uma terceira função, menos relevante mas existente, que é a de
difusão ou informação da rede social. A
função de identificação está relacionada a
somar características interessantes (e vistas como positivas) a um determinado ator, somando traços a sua narrativa identitária no Facebook. Mais do que fazer um protestou ou comentar sobre algo, o meme parece ter uma
ação afirmativa sobre a face (face no sentido construído por Goffman, semelhante àquele de "personalidade" que queremos que os outros atribuam a nós baseados nas interações que construímos em um determinado espaço). Ou seja, eu não coloco um meme "esta pessoa" apenas para comentar algo ou fazer uma afirmativa, mas para construir "quem eu sou" para a minha rede social. Essa função já foi observada em outras redes sociais anteriores, como aquelas estabelecidas nos fotologs, por exemplo (quem lembra das "maldições"?). Há diversos memes nessa categoria, como aqueles dos álbuns de fotos, os "todo mundo tem um amigo que". Interessante é observar que esses memes
têm um valor específico, que é aquele de dizer quem vc é e
convidar seus amigos a legitimarem a "face"ou a "curtirem" ou comentarem sobre a sua afirmação, além de narrar um "eu". Por isso, são memes que falam muito aos laços fortes (colocamos para que nossos amigos mais próximos comentem e legitimem), embora também tenham um efeito nos laços fracos (mostrar aos conhecidos quem nós somos pela legitimação dos amigos).
Uma segunda função é aquela da
sociabilidade. Ou seja, é construir um convite a interação. O objetivo aqui não é apenas dizer quem você é, mas convidar outras pessoas a interagirem com você. Embora implicitamente essa função também esteja presente em todos os memes do Facebook, em alguns ela é muito mais forte. É o caso de memes mais engraçadinhos, como vídeos, montagens de fotos e etc. Esses memes de humor convidam a interação, aos comentários. Têm, assim, uma função específica de manter e construir laços sociais. Ou seja, seu foco, em última análise é mais social. De novo, o foco aqui são os laços mais fortes (a legitimação dos amigos para a genialidade do meme), embora também existam efeitos nos mais fracos (conhecidos repassando o meme ou comentando).
Também existem, em dimensão menor, os
memes mais informativos, ou seja, aqueles cuja
função é popularizar um produto, evento ou idéia. Esses memes buscam a
reprodução, mais do que a legitimação. O que se quer é que os laços fracos vejam a informação e a repassem. O valor aqui está na quantidade de pessoas que fica sabendo da informação e não necessariamente na interação (embora ela também tenha valor e exista função social e identificadora). No caso, o apelo é principalmente aos laços fracos, aqueles que são capazes de dar essa dimensão do espalhamento ao meme.
Embora essas funções
não sejam mutuamente excludentes, elas falam a laços diferentes e constróem
diferentes tipos de valores nas redes sociais. E são esses valores ( que chamo de capital social) que
motivam a difusão e a decisão de publicar ou não essas informações. Sites de rede social como o Facebook são territórios muito promissores aos memes justamente porque o "news feed" possibilita o rápido espalhamento e visualização, além da publicação imediata para a rede das mudanças do "eu" e das novas atribuições à "face". Esses memes são relevantes na medida em que encontram uma
valorização pelas redes que, no Facebook, acontece através da
difusão e legitimação (quantas vezes foi "shared", "curtido" e comentado), que também oferecem aos atores um rápido feedback a respeito de seus memes e uma percepção de capital social (valor) construído.
E quais são os problemas do espalhamento desses memes no Facebook?
Um dos problemas parece estar relacionado a maior
valorização de memes que são novos. Quanto mais novo o meme,
mais deconhecido para a rede, maior o seu valor (daí a profusão de memes diferentes). Com isso, há uma verdadeira
profusão de memes, o que reduz seu valor individual pela competição. E também dificulta a visualização do news feed, reduzindo o valor do próprio Facebook como um todo (informação demais e pouca atenção para os memes que deixam de receber a legitimação buscada). Um segundo valor está na
rápida difusão, o que gera
muita gente publicando coisas parecidas ao mesmo tempo, o que também prejudica o valor do Facebook enquanto streaming "social", pois dificulta a atenção como um todo. Ou seja,
embora o Facebook apresente um ambiente extremamente propício para a rápida difusão e crescimento dos memes, seu crescimento desenfreado prejudica o sistema como um todo, pois reduz os recursos (atenção e visibilidade) disponíveis aos memes e, por conseqüência, os valores disponíveis aos atores. Assim, a mim parece que vai acontecer uma
auto-regulação desses memes, na medida em que virão a crescer e a descrescer de modo a manter algum valor no ambiente (Facebook).
Mas isso só porque o Facebook não tem concorrência em termos de site que proporcione valores semelhantes (ainda). Quando tiver (sim, é quando), esse aumento desenfreado de memes pode reduzir o valor do site como ferramenta para as redes sociais.
[01 de novembro de 2011]

Desde ontem, eu sou mais uma das centenas (talvez milhares) de amantes do GReader que estão de luto pelo fim do sistema de feeds do Google. O GReader agora foi incorporado, forçadamente, ao Google Plus. A estratégia do Google é forçar a base de usuários do Reader, que acredito seja bem engajada, a alimentar o G+. O que não é necessariamente uma coisa boa. E que, eu, pelo menos, não curti. :P
Misturando Redes Sociais
Há muitos posts atrás,
quando falei do Buzz eu já tinha dito isso.
Misturar apropriações diferentes de redes sociais diferentes pode ser um grande tiro no pé. Explico: as pessoas apropriam os diferentes sites de rede social com propósitos diferentes. E isso gera valorações diferentes para cada uma dessas ferramentas. Assim, por exemplo, o que você faz no Orkut não é o mesmo Linkedin, do mesmo modo que o que você faz no Facebook nem sempre é o mesmo que você faz no Twitter. E o que acontece é que, muitas vezes, as pessoas também têm
redes sociais diferentes usando essas ferramentas (por exemplo, rede do pessoal do trabalho, rede da família, rede dos amigos e etc.). E isso é absolutamente natural.
Suas redes sociais offline também não são todas iguais e não compartilham dos mesmos espaços sociais. (Por exemplo, você não leva seus pais pra balada.) As apropriações dos espaços online, assim, seguem uma lógica parecida. O que não quer dizer que alguns elementos (nós da rede) não participem de vários espaços. O caso é que nem todo mundo está em todos os espaços das redes de seus amigos.
O Google, entretanto, tem sistematicamente "furar" essa apropriação forçando a adoção de ferramentas. O Buzz e o Wave foram exemplos. A proposa do Google é sempre a mesma:
criar um gigantesco espaço social onde todos compartilham tudo com todos. Só que as ferramentas Google têm apropriações diferentes. Isso significa que as ferramentas têm valores diferentes. E como o Reader é usado? Primeiro, com uma rede social mais selecionada e muito mais focada. Segundo, como espaço para "guardar" textos interessantes. Terceiro, como "jornal diário". Por exemplo, o
Reader pra mim é (era) uma fonte de informações. Assino (ava) ali os feeds das coisas que me interessavam, a partir de uma rede social pequena de alimentadores, quase como um jornal diário. Bem diferente do Twitter, que pra mim é
filtro social. Ali me interessa saber o que minha rede social está falando, quais tópicos estão mais relevantes no momento. Tem coisas no Reader que eu dividia com a minha pequena rede e coisas que eu guardava só pra mim. De todas essas coisas, só um pequeno percentual era divulgado para rede do Twitter, por exemplo, só coisas que realmente me pareciam interessantes.
Já o Google+ ainda não pegou direito. Tem algumas apropriações acontecendo, no caso da minha rede, principalmente para divulgação de informações, mas também tem um foco social mais parecido com o Facebook. As pessoas ainda não sabem ainda pra que o G+ "serve". E um dos culpados disso é misturança do Twitter (a idéia de que as pessoas podem te "seguir" sem que vc autorize) junto com uma proposta muito mais social (os círculos). E essa falta de foco gerou uma série de questões ainda não resolvidas. (Por exemplo: Spam social.)
A Face nos Sites de Rede Social
Ferramentas sociais e informacionais não necessariamente se dão bem juntas. O Goffman tem um conceito fantástico que nos ajuda a entender isso:
a idéia de "face". A face é um conjunto de impressões construídas de forma a dar uma linearidade para as nossas atuações no dia a dia (grosso modo). O que isso significa? Que
dependendo do contexto interacional (ou do espaço social e do grupo ali presente) procuramos manter uma face, que é uma linha de interação que buscamos que seja legitimada pelos demais atores e que eles nos reconheçam por essas características. Só que é por isso que mantemos redes sociais diferentes:
nem sempre desejamos manter a mesma face. Como você age num ambiente informal com seus amigos (face 1) não é igual ao modo como você age em um ambiente formal, numa reunião de trabalho (face 2). E é esse o meu ponto: O que você faz no GReader não necessariamente você quer fazer no G+. As coisas que você lê e quer dividir com alguns amigos não necessariamente você quer publicar no G+ e mais: você nem sempre quer que os comentários colocados numa coisa que você publicou por um círculo chegue a outro círculo de amigos. (O que, aliás, é outra coisa interessante que eu tenho observado nas conversações: mesmo que vc não participe, a rede social atribui uma certa dose de responsabilidade pelos comentários a quem originalmente publicou um texto.)
E dai?
Meu ponto é: você não pode obrigar as pessoas a agir do modo X ou Y num ambiente social. Esses modos de agir são construídos socialmente e sempre superam e alargam as limitações técnicas. "Empurrar" os usuários de uma ferramenta para outra criando modos de compartilhamento relevantes pode mudar uma apropriação. Retirar modos de compartilhamento que já foram apropriados e limitar as opções não necessariamente resultam num uso da ferramenta que vc quer. Além disso, tentar criar ferramentas únicas que gerenciem todas as redes sociais não parece ser a solução. Você não necessariamente quer que todo mundo saiba seu email ou que as pessoas que estão na sua lista de emails tenham acesso imediato a seu Reader ou a seu G+ ou que seus grupos diferentes passem a ter acesso às mesmas informações.
Misturar redes e obrigar todos a usar uma mesma ferramenta pode ter resultados mais desastrosos que o esperado.E, finalmente, limitações e focos exagerados podem fazer uma ferramenta perder o valor e, com isso, suas populações tendem a migrar para novas apropriações. Vai ser esse o caso do Reader? Não sei. Tenho a impressão de que a ferramenta perdeu com a mudança. E o G+? Vai ganhar? Não sei tb. Não acho que vá ser o Twitter. O mais provável é que o G+ vai sofra uma inundação de informações (úteis e inúteis), aumente a quantidade de spam e que os usuários sejam obrigados a filtrar mais os círculos para poder filtrar também a informação recebida e emitida. Veremos. De qualquer modo, entender a apropriação é a idéia chave para criar ferramentas úteis e integrá-las de forma natural. Idéia que a maioria das companhias não parece dividir comigo. :P
[24 de outubro de 2011]

Faz alguns dias que comecei o texto, mas não consegui terminá-lo até hoje. Hoje consegui dar uma finalizada. :) Desculpem a demora. (E acho q acabou um texto mais evangelizador do que eu previa, mas vale o debate.)
Um dos desafios com os quais frequentemente me deparo em conferências e debates acadêmicos no Brasil com relação ao uso dos sites de rede social na educação é a dificuldade no acesso. Muitos argumentam que nem todo mundo tem acesso, que jovens e adolescentes de classes mais baixas não têm Internet e, finalmente, que as escolas não têm acesso. Os argumentos são válidos, mas gostaria de salientar alguns pontos.
A inclusão digital
No Brasil,
um dos grandes responsáveis pela inclusão digital foi o Orkut. E não sou eu quem diz isso apenas. Há um trabalho do Jeremiah Spence (2007) a respeito do Orkut no Brasil também trouxe dados parecidos. O Orkut foi uma ferramenta importante na história da Internet no Brasil porque motivou pessoas que não tinham acesso a procurar acesso, justamente, para utilizá-lo. Os sites de rede social, portanto, foram uma das portas de entrada da Internet no Brasil para muitos usuários, de idades e classes sociais diferentes. Isso significa que parte da experiência de uso da Internet para muitos de nós foi, exatamente, a experiência social. Esse acesso, que não se conseguia em localidades públicas, porque o Orkut era proibido, cresceu rapidamente em cibercafés e lan houses (o que também impactou no crescimento desses locais, especialmente dentro de comunidades mais pobres). Apenas para que se tenha uma idéia, numa rápida consulta aos
indicadores do CGI, temos que entre 2005 e 2007 (anos da explosão do Orkut no Brasil), o uso da Internet cresceu cerca de 10% na população que nunca tinha acessado, e a grande atividade que concentrava o uso, o e-mail (70% em 2005) foi substituído pelo acesso aos sites de rede social (69% em 2008). Embora não seja possível apontar uma relação direta, outras pesquisas têm demonstrado que o Orkut atuou como grande motivador para essa busca pelo acesso, mesmo sem as condições físicas, nessa mesma época.
O impacto do Orkut na sociedade brasileira foi tão grande que sua citação em programas de TV e notícias tornou-se tão lugar comum que nem necessidade de explicá-lo se via mais na mídia.
Em 2010, segundo os mesmos indicadores, a penetração do uso da Internet aumentou:
Chegou a 80% entre os brasileiros de 10 a 24 anos, entre 79 e 83% dos mesmos usando sites de rede social. O que isso nos mostra? Que os jovens estão sim, utilizando essas ferramentas. Que para uma grande maioria deles,
essas ferramentas estão inseridas no cotidiano, como parte de suas atividades.
É isso que eu quero apontar quando digo que as redes já estão na sociedade e que
as escolas precisam também inserir-se nelas. Embora muitas vezes as escolas não tenham equipamentos e os professores não tenham como utilizar essas ferramentas em aula, os alunos continuam utilizando-as. E há muito que precisa ser discutido e debatido a respeito delas também no ambiente escolar.
É preciso trazer as redes para as escolas.
Como trazer as redes para as escolas?
Sabemos que existem problemas de todos os tipos, principalmente falta de equipamento e acesso e também a questão do preconceito. Mesmo com esses problemas, acho que há iniciativas que podem ser levadas adiante.
Minha primeira sugestão é um
trabalho de conscientização e crítica das potencialidades e dos problemas . Fazer palestras, discutir, trazer pais, alunos e funcionários para o debate. É preciso superar o preconceito, que muitas vezes impera, que essas ferramentas não são necessárias e não importam. Assuntos como fronteiras entre o público e o privado, impactos dos rastros deixados nessas mídias no futuro, uso dessas ferramentas podem ser abordados através de palestras e cursos, além de rudimentos da pesquisa e discussão da veracidade do que se encontra online.
Minha segunda sugestão é que
a escola entre na rede. É preciso estar nessas ferramentas, construir uma presença institucional, representar a escola, proporcionar meios de contato e mesmo, meios de informação. Mesmo sem laboratórios e equipamentos, um pouco de presença se pode atingir e um mínimo de informações para a comunidade a respeito do que está sendo desenvolvido nas escolas.
Apenas essas duas estratégias já ajudam muito. Primeiro porque marcam uma consciência da Escola para com o cotidiano dos alunos e da comunidade. E em nenhuma delas é preciso que todos tenham laboratórios, mas é preciso que se aborde a questão. Segundo, porque aumentam também a consciência de uso para essas ferramentas, tanto em termos de sala de aula, quanto de trabalhos escolares.
Quanto mais pessoas estiverem conscientes da importância dessas práticas nesses sites, mais facilmente se conseguirá apoio para outras iniciativas. Para aquelas escolas que já dispõem de laboratórios e ferramentas, muito mais pode ser feito. Oficias com os alunos, de modo a mostrar o que pode ser feito na rede em termos de criatividade, discussões a respeito da privacidade e dos riscos da exposição e, sobretudo, criar um canal permanente de informações com a comunidade são o mínimo.
Citação:
Jeremiah Spence, “Orkut: catalysis for the Brazilian Internaut”
[17 de outubro de 2011]

Desculpem a falta de posts. Ando muito ocupada com coisas profissionais e o blog, que é hobby, vai ficando para depois. Entretanto, há duas boas notícias (ao menos pra mim). Primeiro, deve sair a segunda edição do Redes Sociais na Internet com um capítulo extra sobre perspectivas de estudo das redes sociais. Segundo, estou nos finalmentes do meu novo livro, que deve sair ano que vem (e que, portanto, tem que andar de uma vez). Em breve, mais novidades sobre isso.
Enquanto isso, andei mapeando algumas outras coisas. Essa semana, brinquei com o NodeXL para mapear o #15o. Para quem não sabe, a hashtag representa uma movimentação em torno de protestos em todo o mundo, que ocorreram em mais de mil capitais e cidades menores, em diferentes países, congregando marchas pela mudança (algumas outras hashtags como #globalchange também acompanharam) e em vários países, foram anexadas a movimentos que já estavam ocorrendo, como os protestos contra a corrupção no Brasil, os "indignados" na Espanha e em Portugal, os movimentos dos 99% nos Estados Unidos e etc.
Tentando entender essas movimentações um pouco melhor, mapeei o movimento através da hashtag #15o no Twitter (peguei outras também, pedindo sugestões a outros twitters, mas não achei nada específico do Brasil, por exemplo). E deu pra ver algumas coisas interessantes:
Uma das coisas que tenho observado nesses mapeamentos de hashtags diversas é a questão do
engajamento. Ao que parece,
a clusterização está diretamente associada com o engajamento dos atores em propagar a hashtag, o que faz com que vários deles retuítem e repassem tweets com a hashtag enviados por outros atores na sua timeline. A estratégia faz com que a
hashtag seja popularizada sem constituir-se em spam e me parece ser a principal responsável pela "forma" do grafo. Tenho observado isso em várias hashtags que se tornaram
trending topics, mas que entraram nos TTs de forma
menos orgânica (ou seja, foram resultado de organizações coletivas que tentaram popularizar a hashtag) e não de um assunto que era popular entre os participantes da conversação em determinado momento. Vejam o grafo abaixo:
(Clique para ver a imagem em tamanho maior.)
No grafo, aumentei o tamanho dos nós mais influentes (acima de 5 nós da mesma rede repassaram/tuitaram sobre a hashtag) e podemos ver que há uma centralização intrínseca dos nós que tuitaram sobre a hashtag (esqueçam as cores, é outra coisa que eu estava analisando e esqueci de trocar). A centralização também é esperada porque
redes que focam causas tendem a congregar mais nós com idéias/focos semelhantes, que portanto, podem ser ativados
mais facilmente nesse tipo de causa. Outras coisas que são interessantes: Ao que parece,
os atores são muito mais capazes de influenciar a rede nessas causas do que em outras hashtags. Por exemplo, o número de influenciadores nesse grafo é bem maior do que o da maioria dos outras redes que tenho mapeado. Além disso, o número de pessoas que falou sobre a hashtag e influenciou ao menos um seguidor também é grande.
Esses elementos que comentei também têm aparecido nas redes de fãs (comentei recentemente sobre
as fan wars) e de forma muito semelhante. Isso pode indicar que há estratégias específicas desses grupos mais engajados em "aparecer" e fazer com que sua mensagem chegue ao "mainstream" do Twitter (TTs). Essas estratégias não orgânicas acabam influenciando muito o modo através do qual esses tópicos ressoam e aparecem para os demais no Twitter. Sem ser promovidos pela ferramenta. :-)
Créditos:
Foto Eneas de Troya.