[07 de janeiro de 2009]

Drops de Quarta

Estou um pouco ocupada com vários deadlines e trabalhos (o ano começou muito rápido) e, por isso, com menos tempo para escrever para o blog. Então as atualizações de hoje vêm em forma de drops. :-)

# Imperdível o artigo do Bernardo Huberman, Daniel Romero e Fang Wu denonimado "Social Networks that Matter: Twitter under the microscope" que acabou de sair na First Monday. O artigo foca as redes sociais "realmente" criadas no Twitter, explicando que redes de conexões não são iguais a redes de interações (A idéia é parecida com o que eu tenho falado/escrito sobre redes emergentes e redes de filiação.) De uma perspectiva quantitativa, o artigo discute o que significa ter muitos seguidores no Twitter em relação ao que significa interagir com as pessoas. Ao final, mostram que, se retirarmos os links dos meros seguidores do grafo, temos uma rede bem mais simples em torno dos twitters.

Três coisas são incrivelmente legais sobre esse artigo: A primeira delas é que eu tive a oportunidade de conhecer e conversar com o Bernardo Huberman na última Hypertext, em Pittsburgh, onde ele foi keynote speaker. Lá, eu e um amigo que twitávamos o evento apresentamos o Twitter pro Huberman e discutimos seus usos durante um café. (O Huberman é argentino e simpaticíssimo.) A segunda é que é um artigo com foco social e o Huberman é um físico super reconhecido e que, por isso, essa discussão da interação social como base para a percepção da rede é uma novidade para os estudos de redes sociais da área. E essa percepção é interessantíssima porque inaugura uma percepção mais forte dos estudos sociais em meio aos estudos quantitativos e estatísticos que têm sido mais freqüentes entre os pesquisadores americanos. A terceira é que o trabalho tem importantes insights sobre o Twitter, como por exemplo, a sugestão de que há um baixo custo para ter seguidores no sistema, mas um alto custo para ter amigos (conexões recíprocas baseadas em interação) e por isso um maior número de seguidores. Tem muito mais coisa para discutir sobre isso, mas assim que eu terminar o paper volto aqui para discutir.

# Um blog imperdível para todos que estudam redes sociais e blogs é o (novo e mais ativo) blog da Lilia Efimova. Ali ela tem apresentado resultados de suas pesquisas e insights sobre o que são e como são apropriados os blogs. O último artigo publicado, por exemplo, onde ela discute que blogs são "objetos fronteiriços", mistos de conexões não-pessoais e sistemas de informação, que têm características pessoalizadas como conversação com o self, publicação de informações, interação e abstração está imperdível. Leiam e coloquem nos feeds.

# O artigo do Träsel sobre o futuro do jornalismo merece ser lido e discutido. Concordo com muitas coisas que ele colocou ali, especialmente os micro-pagamentos e a busca por conteúdo não-genérico. Confiram.

# Finalmente, a pesquisa sobre o Twitter continua e ainda precisamos de respondentes: até o dia 12/01. Divulguem em suas redes sociais, se puderem, pois precisamos de um mapeamento bem abrangente. Os resultados vão virar um paper, mas depois serão discutidos aqui no blog (e creio, no blog da Gabi Zago tb).
por raquel as 07:54
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[03 de janeiro de 2009]

Pesquisa sobre o Twitter

twitter_bird.gifAtenção leitores: Eu e a Gabriela Zago estamos realizando um trabalho a respeito das redes sociais e da apropriação brasileira do Twitter. Para que possamos completar esse trabalho, precisamos da sua ajuda: Se você tem uma conta no Twitter, por favor, vá até esse site e responda as 35 questões. Se puder, ajude a divulgar a pesquisa entre os seus amigos e conhecidos. Quanto mais respostas, mais fidedigna será a análise do uso do Twitter pelos brasileiros. O questionário deve ficar no ar por um período de 10 dias apenas, por isso, responda logo. Depois que terminarmos a coleta de dados e o artigo que estamos escrevendo, divulgaremos a todos.
por raquel as 11:28
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[02 de janeiro de 2009]

Campus Party

cparty.jpgEntão, começamos 2009. E aqui já estão vários trabalhos alinhavados. Agora em janeiro, eu estarei na Campus Party 2009, onde vou palestrar sobre "Microblogs" (na verdade, vou falar de redes sociais no Twitter, Plurk e um pouco mais dessas questões decorrentes, como apropriação, popularidade, autoridade e difusão de informações nesses sistemas). O evento será de 19 a 25 de janeiro, e eu vou falar no dia 22 (marquem nas suas programações porque o evento é gigante!). E também no mesmo dia, vai acontecer o lançamento do livro que eu, a Sandra Montardo e a Adriana Amaral organizamos, que é o Blogs.com, uma coletânea de trabalhos sobre blogs no Brasil. O evento está muito interessante, tem muita gente legal participando e várias palestras e mesas redondas que prometem. (Confira a programação.) Pessoas que se interessam pelo assunto: apareçam por lá para discutirmos! :)

Ah, e o Interney está sorteando ingressos para o evento. Confiram lá.
por raquel as 17:36
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[31 de dezembro de 2008]

2009

Das profundezas das férias, venho desejar um feliz 2009 e uma ótima entrada de ano a todos os amigos e leitores. Aproveitem. No dia 05, voltaremos com força total.
por raquel as 09:41
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[20 de dezembro de 2008]

Feliz Natal!

yodaxmas.jpg

Como sempre, durante este período de festas, este blog fica (um pouco) mais offline. Que a Força ajude a espalhar alegria e felicidade por suas redes sociais neste Natal. :-)
por raquel as 08:04
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[18 de dezembro de 2008]

Mapeamento de Redes Sociais: Conversação e Mídia Social

Como todos sabem, o estudo das redes sociais na Internet tem chamado a atenção dos pesquisadores, estudiosos, profissionais de mídias sociais e curiosos a respeito do assunto. Todo esse interesse acontece, basicamente, porque a Internet permitiu que se visse, em larga escala, essas redes. Vou comentar alguns apontamentos de meu trabalho.

Redes Sociais e Sites de Redes Sociais

Redes sociais são metáforas. Metáforas estruturais que permitem que os grupos sociais sejam representados e que sua estrutura possa ser compreendida. Além disso, o estudo dessa estrutura auxilia a perceber, por exemplo, os possíveis caminhos de uma informação no grupo; quais atores são mais centrais ou influentes e etc. Na Internet, o estudo dessas redes ficou facilitado porque, online, os rastros das conexões são mais evidentes, pois permanecem no ciberespaço, principalmente através dos sites de redes sociais (lembrando que a rede é expressa no site, mas o site não é a rede).

No entanto, há diversos tipos de rastros deixados no ciberespaço. Mais comumente, são utilizados para mapear essas redes, os links, que são conexões per se. No entanto, minha proposta, nos últimos anos, é que estudemos não mais os links (ou apenas eles), mas as conexões forjadas através das interações entre os atores, ou seja, as conversações mediadas pelo computador. A rede obtida através desse estudo é completamente diferente da rede mapeada apenas pelos links. Vejam os exemplos:

Rede A
rede1.jpg
Na rede A, por exemplo, vemos uma rede ego-centrada, mapeada a partir dos comentários recíprocos de um fotolog durante um mês (2 graus de separação). Vemos que o fotolog, que não é especialmente popular no sentido da quantidade de links (apenas 7369 nós faziam parte das conexões da rede), mas com uma quantidade grande de comentários trocados entre os mesmos atores, mostrando uma clusterização da rede. Há um total de 970 interações trocadas, por exemplo, entre apenas 82 nós que representam um atores, e uma média de 4,21 comentários por ator. Se analisarmos ainda o conteúdo dessas conversações, veremos uma pluralidade de informações e capital social gerado.

Rede B
rede2.jpg
Na rede B, vemos novamente uma rede ego-centrada mapeada a partir dos comentários recíprocos de um fotolog durante um mês (2 graus de separação). Esse fotolog era bastante popular, com uma imensa quantidade de conexões (78439 nós estavam conectados na rede original). Mas quando reduzimos a rede apenas aos comentários recíprocos, vemos que esta se desestrutura, em vários pequenos clusters. Apenas 294 nós permanecem na rede como atores realmente ativos e apenas 1410 interações entre os atores. Há uma média de apenas 1,34 comentários por ator. Se analisarmos ainda o conteúdo dessas conversações, veremos que há apenas assuntos amenos e uma ou outra troca que implique em algum tipo diferente de capital social.

O que podemos aprender desses exemplos?

Links não implicam necessariamente em influência na rede. Um fotolog como o ego da Rede B, por exemplo, é muito popular, mas é incapaz de gerar conversação nos nós que estão conectados a ele. Se mapearmos a conversação desse nessa rede, veremos que o papel do fotolog em questão é mínimo e que a rede é desestruturada em torno dele (como mostra a figura). Ou seja, ele é bastante visível, mas não necessariamente influente na rede e capaz de gerar conversações. Esse nó tem tem um aspecto broadcast na rede.

Já o nó ego da rede A é mais influente em termos de gerar conversação. Mapeando a rede a partir dele, vamos que há uma quantidade enorme de conversações geradas e de informações trocadas. Assim, um nó mais popular não é necessariamente um nó ativo na rede. Se levarmos em conta as conversações, há uma força muito grande dos grupos mais descentralizados, que implicam em mais trocas entre os atores, mais capital social construído e maior influência na difusão de informações.

Assim, mapear uma rede pela conversação pode indicar coisas diferentes do que uma rede mapeada apenas através dos links. Na observação da conversação, vemos redes menores, mais clusterizadas, que mostram influências diferentes e capital social mais variado, além de laços mais multiplexos. É uma rede dinâmica, que se morifica o tempo todo. É uma rede emergente. Em uma rede mapeada apenas pelos links, vemos uma rede estável, que exige menos esforço dos atores envolvidos e por isso, é maior. Mas não necessariamente tem uma construção de valores significativa e uma influência total.

Mídia Social e Mapeamento de Redes Sociais

Mapear uma rede social na Internet é um processo trabalhoso, mas que pode auxiliar a compreender melhor como as ferramentas são apropriadas pelos grupos sociais e que tipos de grupos sociais surgem de cada uma delas. Essas duas informações são fundamentais para quem trabalha com mídias sociais, pois ajuda a compreender o comportamento dos atores, sua influência e como a rede social está representada ali. Essas são informações preciosas para selecionar que tipo de ferramenta pode ser escolhida para cada campanha e que tipo de nó pode ser apontado como influente para cada objetivo. Links indicam determinados valores, conversações, indicam outros.
por raquel as 10:05
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[16 de dezembro de 2008]

Quais notícias você ficou sabendo primeiro no Twitter?

twitter_bird.gifVi no blog do Paul Bradshaw quais notícias ele ficou sabendo primeiro no Twitter e resolvi assinalar algumas também. Pelo menos, aquelas das quais me lembro agora (não necessariamente as mais relevantes do ano). Acho um bom exercício para compreender um pouco melhor a relevância do Twitter no processo de informação de cada um e de suas redes sociais no acompanhamento e discussão dessas notícias.
  • A vitória do Obama nos Estados Unidos e os debates que fizeram parte da campanha;
  • Atentados em Mumbai (via @dina);
  • O assassinato da Benazir Bhutto
  • (via @bbcnews);
  • A morte do Michael Crichton e da Bettie Page;
  • O sapato atirado no Bush;
  • Início da crise mundial e todos as quedas das bolsas;
  • As enchentes em Santa Catarina (via @christofoletti) e os movimentos de auxílio;

Como as do Bradshaw, as minhas são uma confusão de coisas. A maioria das notícias não veio de meios de comunicação tradicionais, embora várias tenham vindo. Também há uma série de pequenos detalhes locais (como na cobertura das enchentes em Santa Catarina, onde acompanhei as mobilizações de apoio e informações a respeito do dia a dia de vários amigos) em relação a várias notícias globais (como os atentados, a morte do Crichton, da Bettie Page e por aí vai). E vocês, quais notícias viram no Twitter primeiro?
por raquel as 09:05
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Drops de Terça

Vários estudos e estatísticas saindo nesse final de ano, além de notícias interessantes. Compilando algumas:

# Saiu o Pew Internet Report sobre o futuro da Internet. Alguns resultados interessantes, como o aumento da tolerância social, a questão da redução do copyright (achei as respostas um pouco "idealísticas" e não totalmente baseadas em reflexão); e a questão da identidade e da transparência. Embora a maior parte dos resultados do que esperar do futuro da Internet seja esperada (mobilidade, borramento das fronteiras entre online x offline, menos fronteiras entre trabalho, lazer e etc.), acho que tem coisas bem interessantes e que vale dar uma olhada. Ah sim, importante lembrar também que estudo é realizado apenas entre americanos e a partir dos hábitos americanos. Acho que é possível que um estudo brasileiro, por exemplo, apontasse dados um pouco diferentes.

# Falando em dados brasileiros, o Ibope/NetRatings divulgou ontem alguns dados atualizados da Internet brasileira. O número de brasileiros com acesso domiciliar cresceu pra 38 milhões (24,4 em novembro do ano passado), o que mostra que o acesso à Internet cresce a passos largos no País. E o acesso principal ainda vai pra ferramentas de comunicação e sites de redes sociais. Interessantemente, a idéia de que esses sites sejam um motor de inclusão digital no Brasil já vou defendida em alguns congressos dos quais participei e acho que é bastante possível.

# Uma informação interessante é que o Tim Berners-Lee (o "criador" do que hoje conhecemos como Web) vai abrir o Campus Party 2009. Vi no blog do Sérgio Amadeu há alguns dias que a possibilidade de ele vir existia e parece que a Folha cofirmou.

# Vi no blog do GJol a referência ao estudo do James Grimmelmann sobre a privacidade no Facebook. Achei muito interessante e fiquei pensando no quanto de suas conclusões podemos aplicar no Orkut. #
por raquel as 08:41
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Best Blogs

bbb.jpgFiquei sabendo hoje, via Lilian Starobinas que a Campus Party está promovendo o prêmio Best Blogs do Brasil. A idéia, pelo que entendi, é premiar aqueles blogs considerados "os melhores" do Brasil, por jum juri popular e por um juri especializado.

Não sou muito de concursos e indicações, mas dei uma passadinha lá no site e indiquei meus cinco blogs. As categorias são meio confusas e só podemos indicar cinco - o que é uma miséria comparados com os blogs que eu acho legais. Então que dei preferência para indicar blogs que eu acho muito legais e que ainda não tinham sido indicados, já que alguns que eu indicaria já tinham vários votos. Outra coisa legal é que, vendo a lista de indicações, acabei colocando várias coisas novas nos meus feeds, pois vários blogs que eu não conhecia foram indicados.

Enfim, passe lá e deixe suas indicações. :-)
por raquel as 07:34
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[14 de dezembro de 2008]

Apropriações do Twitter e Valores Sociais

twitter-browser.jpgO Twitter é uma ferramenta que me parece fascinante por seu caráter agregador. Sua característica de micro-mensageiro, aliada ao uso e apropriação pelas redes sociais gerou uma série de apropriações pelos usuários brasileiros que me chama a atenção (estudo pseudo-etnográfico). Claro que o uso do Twitter por aqui não se compara com o uso dos países de língua inglesa. Li, recentemente, no IDGNow! que há uma estimativa de cerca de 2 milhões de usuários ativos no sistema. Acho um número enorme, considerado que o Twitter ainda está no nível de adoção de techies (pessoal que trabalha/lida com tecnologia). Esse nicho, na verdade, parece-me que é onde reside parte da força do Twitter por aqui, que é basicamente ligada a sua capacidade informativa. Digo isso porque a mim parece que há uma forte apropriação do sistema por parte de blogueiros e outros formadores de opinião. Assim, esses usuários freqüentes acabam por potencializar o valor de influência e difusão de memes do Twitter.

Mas eu queria discutir as apropriações do Twitter. Tendo analisado o sistema nos últimos meses, vou fazer algumas considerações a respeito dos aspectos das redes sociais e dos valores construídos ali. Na minha percepção, os valores são decorrentes das formas de apropriação dos sistemas.

Valor Informativo

É relacionado à vários valores sociais como reputação e complexificação das redes sociais. As informações são uma grande moeda no Twitter, especialmente no que concerne a conseguir mais seguidores. Quanto mais informações relevantes, maiores as chances de ter mais seguidores e agregar maior valor e reputação. Nesse sentido, parece-me que há uma certa competição entre os usuários a respeito do número de seguidores, tomado como um indicativo de popularidade e autoridade pela maior parte dos usuários. Mas esse capital não é apenas relativo às informações publicadas, mas também à ação de criar e repassar informações mais novas e mais diferentes. Assim, a competição parece gerar informações melhores e mais interessantes, uma vez que são ecoadas apenas aquelas consideradas relevantes pelos atores para sua rede social.

Esse valor informativo também é relacionado à construção de reputação na medida em que o Twitter funciona através de visibilidade (para ser visto é preciso twittar) que é associada à reputação e a visibilidade só é valorizada se as informações forem relevantes. Esse valor, assim, tem dupla faceta: é individual e coletivo. É individual na medida em que contrói valor para o ator, mas é coletivo na medida em que atua na rede social.

Valor Social

O valor social é decorrente de todas os sites de comunicação mediada pelo computador, que permitem uma complexificação e manutenção de uma rede social com pouco custo para o ator social. É possível utilizar esses sistemas para fortalecer conexões, manter conexões e gerar capital social relacionado com os grupos dos quais se faz parte. Esse potencial social é diretamente relacionado com a capacidade de mobilização das redes através desses sistemas, bem como através da divulgação de memes e das ações coletivas.

As conversações, no Twitter, são essencialmente assíncronas (acontecem sem que os atores necessitem estar online ao mesmo tempo). Com isso, ele se torna menos exigente que os mensageiros instantâneos e mais maleável para a interação. Isso também facilita a construção de valor social, embora reduza a sua capacidade de gerar coerência e conversações. Esse valor também é individual quando valoriza as conexões para o ator. E é coletivo na medida em que complexifica a rede social.

Valor Agregador

Outro valor que é característico do Twitter, na minha percepção, é sua capacidade de agregar diversas plataformas de comunicação de uma forma mais pessoal que os blogs e mais abrangente que os mensageiros como Google Talk e Live Messenger. Com isso, blogueiros e outros atores utilizam-no como forma de divulgar novidades no blog, updates no Orkut, atualizações no Flickr e até mesmo, as músicas que estão ouvindo no Blip.fm. Esse valor agregador é somado ao fato do Twitter conseguir centralizar essas interações, mostrando a presença dos atores e suas marcas diárias, bem como um centro de informações. Esse valor é relacionado a plano indivídual, aquele relacionado ator. Pode tornar-se coletivo quando sua apropriação permitir uma complexificação da rede social expressa no sistema.

Esses valores são construídos por conta da apropriação realizada pelos atores sociais. Não são sempre os mesmos e nem existem o tempo todo. Por exemplo, no Plurk, outro micro-mensageiro, o principal valor é o social, agregado a possibilidade de conversação que o sistema proporciona. O valor informativo é um pano de fundo para o social. O que me leva há uma outra consideração: Creio que o Twitter foi criado mais como ferramenta social e menos como ferramenta informativa (daí sua pergunta "o que você está fazendo"). O uso informativo é emergente, decorrente das motivações e percepções de valor dos atores que apropriam esse sistema. E isso não é uma decorrência simplesmente das limitações e vantagens do software. O Jaiku tem ferramentas informativas melhores, mas é muito menos usado que o Twitter.

Eu diria, assim, que concordo com a reportagem do IDG, que afirma que o Twitter ainda é um site de nicho. Mas eu acho que o potencial de influência do Twitter, por causa de sua apropriação pelas redes sociais, é muito, muito maior do que todos os demais sistemas mais conhecidos no Brasil. Isso porque o potencial não é apenas informativo, mas agregador e também social e daí, fortemente mobilizador no sentido de refletir-se em outros sites (como blogs, fotologs, flickrs e até mesmo, no Orkut). Isso, no atual cenário. Quando e se o Twitter passar a ser popularizado no Brasil, creio que teremos um cenário bastante diferente de apropriação.
por raquel as 21:51
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[13 de dezembro de 2008]

Sobre o Jornalismo Online e as Redes Sociais

Acredito que um dos grandes desafios do jornalismo digital, daqui por diante, será aprender a lidar com as redes sociais e com a participação dos atores na coleta e na distribuição de informações. Como o Adam Tinworth declarou em uma entrevista para o Journalim.co.uk, essas redes funcionam como uma "câmara de eco" para as notícias. Mas esse eco pode acontecer de diversas formas, e nem todas são exatamente positivas. Vou enumerar algumas que eu julgo que são fundamentais:
  • Amplificação: As redes sociais amplificam o potencial informativo daquilo que é publicado pelos jornalistas. Isso pode ampliar várias vezes, por exemplo, o alcance de uma notícia local ou nacional. Além disso, há diversas iniciativas como o Global Voices Online, que traduzem, republicam a ampliam ainda mais o alcance da informação.

  • Debate: As redes sociais também ampliam o espaço de debate a respeito daquilo que é (e que não é) publicado pelos jornais. Essa discussão pode levar à mobilização de grupos de atores sociais (como no caso do projeto Azeredo, por exemplo), que acaba gerando mais informações. Se junto com essa característica, analisarmos também a amplificação, vemos que essas discussões podem chegar a níveis ainda não completamente percebidos pelos jornalistas. Isso é potencialmente importante porque também implica no fato de que uma informação publicada por algum jornal pode ser rapidamente discutida e confrontada com outras informações às quais, muitas vezes, o jornalista não teve acesso. Com isso, informações contraditórias àquilo que foi publicado pelo jornal podem amplificar-se atacando a credibilidade do mesmo.

  • Fontes: As redes sociais, por causa das características anteriores, também aumentam potencialmente a quantidade de informações circulando no ciberespaço. Esse aumento pode apresentar, para o jornalista, novas fontes e novas informações. É o que se viu, por exemplo, nos casos dos atentados em Mumbai e das enchentes em Santa Catarina.
Esses três impactos são, na minha opinião, os mais significativos até agora. Enquanto o debate tem sistematicamente apontado falhas nas coberturas e tem, inclusive, apontado fontes diferentes para as informações, a amplificação tem sido usada como medida de impacto das notícias. As redes sociais como fontes, muitas vezes, tem sido mais rápidas para expor notícias e informar do que a maioria dos jornais.

O jornalista, assim, precisa aprender a lidar com essas redes sociais, tornado-as aliadas na apuração, na organização e na construção das matérias. Não falo aqui de incluir uma sessão de comentários (moderados ou não) em um jornal. Mas falo de começar a pensar a formação do jornalista para esse novo espaço hiperconectado, no sentido de perceber o impacto das redes sociais na função do jornalista e do jornal que, até então, detinham o monopólio das informações. Nesse sentido, parece-me que o papel do jornalista está ancorado mais na organização das informações, na credibilidade e no debate do que no monopólio da informação "nova". Mas isso é assunto para outro post. :-)
por raquel as 11:49
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[10 de dezembro de 2008]

Por que o Facebook ameaça o Orkut na Índia?

orkfb.jpgTalvez muitos não saibam, mas há uns dois anos atrás, eu passei um mês na Índia como consultora, estudando o crescimento e a adoção do Orkut no país. Embora lá existam muitas semelhanças com o Brasil na adoção do sistema, o Facebook sempre foi uma ameaça real por lá, o que nunca foi por aqui. Ainda esta semana eu vi no blog do Calazans que os números estão crescendo ainda mais e resolvi dar meus dois centavos a respeito da questão dessa possível migração.

Ponto 1: Fatores culturais

A Índia é um país que "exporta" muita gente. Além de ser um dos países mais populosos do mundo, é famosa pela de obra qualificada que vai para as empresas de tecnologia. É impressionante: aonde quer que se vá ao redor do mundo trabalhar com TI, lá estará um indiano. O outro ponto é que os indianos são muito, muito focados na família, de um modo fundamental, na autoridade da família: A questão das castas ainda é bastante forte, muitos casamentos ainda são arranjados, e há um forte fator cultural de obediência e respeito para com os familiares. (Aliás, esse é um ponto da dualidade indiana - um país emergente, com um desenvolvimento tecnológico chocante mas, ao mesmo tempo, preso a tradições milenares que se perpetuam entre seus habitantes.) Além disso, os indianos passam por um processo bastante parecido com aquele dos jovens dos países anglo-saxões. Ao completar o segundo grau, precisam mudar-se para continuar estudando na universidade. Muitas famílias, inclusive, costumam mandar os filhos estudar no Exterior. Aí temos o meu primeiro ponto.

A força dos expatriados

Sabemos que a adoção dos sites de redes sociais depende, obviamente, das redes sociais dos indivíduos. Afinal, a única graça de fazer parte de um sistema desses é se as pessoas que conhecemos também fizerem. Indivíduos fora de seu território tendem a ser fundamentais para o espalhamento desses sites, pois atuam como catalisadores nesse espalhamento. Foi assim com o Orkut no Brasil, foi assim com o Facebook na América Latina e foi assim com o Facebook e o Orkut na Índia. Como assim? Ora, pessoas que se mudam percebem rapidamente o valor do sistema para manter contato com sua rede social e obter capital social, mesmo à distância. Assim, esses indianos espalhados pelo mundo certamente foram fatores fundamentais para a entrada do Facebook e do Orkut na Índia. Claro que, como o Facebook está mais ligado aos países de língua inglesa, que é um dos idiomas oficiais da Índia e do mundo da tecnologia, há maior possibilidade de que o Facebook chegue a grupos sociais diferentes do que o Orkut. Isso traz uma frente de ataque bastante forte do Facebook contra o Orkut (cujo maior número de usuários é "interno" do País).

Esses indivíduos expatriados possuem uma força sem igual nos mecanismos de espalhamento dessas ferramentas, pois são eles que dedicam mais tempo e mais esforço na manutenção de suas redes sociais à distância. Ou, pelo menos, o fazem enquanto não conseguem construir uma rede social na sua nova localidade. Esse ponto é muito importante pois, ao contrário do Brasil, onde o Orkut chegou sem concorrentes diretos, na Índia, o Facebook cresceu junto com o Orkut. Ou seja, há uma tensão entre a adoção dos dois sistemas, embora o Orkut tenha chegado com força primeiro.

orkut-india.jpgPonto 2: Fatores Sociais

O Orkut foi apropriado principalmente por jovens e adolescentes indianos (notadamente, os early adopters desse tipo de ferramenta são muito jovens), daí seu rápido espalhamento interno no País. Não como uma característica especial dessa adoção, pois todos os sites de redes sociais que iniciaram em qualquer país passam por esse processo. Mas isso implica em um ponto onde há uma saturação e uma necessidade de diferenciação. Na Índia, o Orkut passa por um dilema parecido com aquele do MySpace nos Estados Unidos (relatado pela danah boyd há algum tempo): virou coisa de criança. Ao "crescer", ir para a universidade e começar uma vida mais "adulta", o site de rede social mudaria para algo mais sério. E o Facebook tem entrado nesse nicho, principalmente por causa da sua organização em torno das universidades. Essa mudança de site é, assim, também um fator cultural e social: a rede social muda, o site de rede social também.

Mas há outro fator social também. A Índia é um país onde há muitos elementos que influenciam essa questão da publicização do eu: as castas, a família, o casamento, a religião... o Orkut, a rigor, é um sistema extremamente público. Com isso, muitos indianos só usam o sistema através de fakes, seja por medo que a família descubra, seja para explorar potenciais candidatos a casamento e etc. Isso é especialmente comum entre as mulheres. Há, assim, uma preocupação grande com a privacidade, refletida no próprio olhar de uma sociedade bastante conservadora. O Facebook é muito mais privado que o Orkut. Ali, só pessoas que fazem parte da sua rede social podem ver o seu perfil. Não é aberto ao mundo, como o Orkut. Esse pode ser outro fator relevante para a mudança do site de rede social por parte dos atores.

Diferenciação e Privacidade

Assim, meu ponto aqui é: Enquanto o Orkut superou relativamente bem a questão da diferenciação no Brasil (aqui ela ocorre dentro do sistema, através da linguagem, da apropriação e de outros fatores de diferenciação), talvez por conta do timming e da língua (o Facebook só foi implementar uma versão em português recentemente, enquanto o Orkut o fez em 2005). Mas na Índia essa questão é latente, pois não há barreiras para a migração para outro site. Além disso, há importantes fatores sociais "empurrando" a adoção do Facebook, como a questão da privacidade, da diferenciação e do contato com uma nova rede social.

Conclusões

Esse ensaio tem por objetivo discutir um pouco a adoção do Orkut e do Facebook na Índia. Não fiz uma análise em profundidade dessa adoção (há fatores que eu não mencionei, como a questão da inovação) mas, simplesmente, dos fatores que acho que são relevantes para discutir essa migração hoje. Acho que o Facebook apresenta uma ameaça real na Índia sim, pois quase não há diferenciação de valor dos sistemas (o Orkut e o FB hoje são muito parecidos, nenhum apresenta funcionalidades absurdamente diferentes e valoradas), logo, essa migração será decidida nos aspectos culturais e sociais da adoção que, como eu apontei, são muito diferentes.

orkutbr.jpgE no Brasil?

Não há como comparar a adoção do Orkut na Índia com o Brasil. Historicamente, o Orkut no Brasil deu tão certo porque chegou na hora certa e atingiu o ponto de desequilíbrio cedo e assim, consolidou-se rapidamente. Em 2005, por exemplo, o Orkut já estava consolidado no Brasil. Na Índia, o Orkut cresce a partir de 2006, quando já há concorrência de outros sites que também estão crescendo rapidamente. Concordo com o Calazans quando ele diz que o que está acontecendo na Índia não deve acontecer no Brasil. Pelo menos, não por enquanto.
por raquel as 08:25
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[09 de dezembro de 2008]

CFP of 'Modernity 2.0': emerging social media technologies and their impacts.

cfp.jpgO amigo e colega Fabio Giglietto está organizando, para o primeiro semestre de 2009, a conferência "Modernity 2.0". A chamada de trabalhos já está online e pede os seguintes temas:
  • Assuntos locais a respeito de regiões particulares, entidade políticas ou grupos étnicos e culturais;
  • Assuntos globais afetando a humanidade no século 21;
  • Tecnologias emergentes e a conexão entre os níveis micro e macro de atores individuais e instituições sociais, respectivamente;
  • Sistemas sociais e modelos econômicos da Web;
  • A geração Y e sua participação na Web (política, negócios e entretenimento);
  • Cultura, conhecimento e impacto social da Web Semântica;
  • e-Social Science;
  • Cibercultura, conhecimento e comunidades locais;
  • O ensino dos nativos digitais em um espaço em rede;
  • A distinção entre o público e o privado na Internet;
  • Cibernética e a Ciência da Web;
  • Capital social em sites de redes sociais.

A conferência será realizada na Itália, em Urbino, de 29 de junho a 5 de julho (período próximo da Hypertext, para quem pretende enviar e que também será na Itália este ano.

Os deadlines:
1o de Fevereiro de 2009: resumos detalhados de 500-1000 palavras;
1o de Março de 2009: aceites
3 de Maio de 2009: resumo normal
24 de Maio de 2009: Inscrição
14 de Junho de 2009: Paper completo.
por raquel as 08:05
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Drops, Pensamentos e um (futuro) Livro

Estou um pouco offline do blog por uma razão justa: Estou dando os últimos retoques no meu livro sobre Redes Sociais na Internet. O livro é, em parte, derivado da minha tese que até então eu não tinha colocado online (e colocarei, em breve) e, em parte, um apanhado de minhas pesquisas na área. O que tenho sofrido um pouco é na questão da passagem linguagem-científica para linguagem-do-público em geral, já que a idéia é fazer algo que seja abrangente e que explique, de forma simples, um pouco das idéias com as quais eu tenho trabalhado (e muitas das quais, discuti aqui no blog). O livro ainda não tem editora - e talvez por conta disso, demore um pouco a sair - mas vamos ver o que acontece nas próximas semanas. Stay tunned. :-)

# Comecei a receber spam via direct messages e @ messages no Twitter. :-P Logo eu, que tenho horror a spammers! Prevejo que esse será um problema sério, e logo. Não é possível ainda, no sistema, selecionar de quem quero receber mensagens e o sistema de bloqueio de seguidores do Twitter é patético. Assim que é muito difiícil 1) encontrar os seguidores spammers e 2) mesmo que o encontremos e bloqueemos, não tem como impedir que outros perfis nos enviem mensagens diretas. A única solução, parece-me, é colocar a conta privada, coisa que não quero fazer. Ou o Twitter implementar algumas ferramentas melhores de controle dos perfis.

# Procurando presentes de Natal online também me deparo, a toda hora, com a tosquice das sugestões de presentes e do funcionamento dos sites das principais lojas brasileiras. É impressionante que ninguém tenha um arquiteto de informação e alguma noção de usabilidade ao criar menus que se escondem, voltas bizarras e links que não funcionam. E não vou nem falar nas sugestões bizarras de presentes (uma TV LCD HDMI 42 polegadas de 5 mil reais parece a sugestão-padrão de presente de Natal).

# Vocês conhecem algum site de cartões de Natal legal? Não achei nada interessante e a maioria dos sites fica spameando as pessoas incautas que deixam seus e-mails de verdade ali (minha técnica é ter uma conta só para esses cadastros, que eu chamo de conta de "spam").
por raquel as 07:47
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[05 de dezembro de 2008]

Drops de Sexta

Estou com pouco tempo, mas gostaria de recomendar algumas coisas bem interessantes que andei lendo:

# Fórum de Direito Autoral divulgado pelo blog do LabCult. O fórum vai acontecer nos dias 15 e 16 de dezembro, na UFRJ. O fórum conta com a participação de muita gente interessante, inclusive Michael Hardt e o Antonio Negri.

# O'Reily Media falando do crescimento do Facebook. Dados bastante interessantes, principalmente no crescimento na América Latina.

# Brilhante post do Paul Bradshaw sobre os novos papéis dos jornalistas no século XXI e os novos tipos de informação. Vale ler. É parte de uma série, mas esse, especialmente, vai virar conteúdo de sala de aula. Quando tiver mais tempo, quero comentar um pouco mais.
por raquel as 09:52
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Feeds

Uma dúvida comum que sempre aparece aqui no blog é sobre os Feeds. Sim, esse blog tem feeds, faz tempo e são feeds tão legais que permitem ver os comentários também. :DDDDD Mas para todo mundo que não acha o link, aqui vai: Feeds do blog Social Media. Eles estão ali no menu ao lado, abaixo das listas de artigos sobre redes sociais e artigos sobre blogs (eu sei que não fica fácil de ver por causa do adsense, mas esse é uma experiência que estou fazendo e não posso tirar por enquanto, embora esteja nos meus planos). :D
por raquel as 08:36
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[01 de dezembro de 2008]

Momento "Achação"

mangas.gif Pequena pausa nos posts sérios para dizer que fiquei sabendo pelo Palácios (e pelo blog doGJol) agora há pouco no Twitter, que esse blog foi indicado como único blog em português entre a lista dos 40 blogs para seguir em 2009, construída pelo Mangas Verdes (Manuel Almeida), do E-Cuaderno (Jose Luis Orihuela); Blog Pocket (Antonio Cambronero); e La Brujula Verde (Guillermo Carvajal). A lista é tradicional de final de ano dos blogueiros que eu acompanho há um tempão e sempre traz dicas bem legais. É uma honra enorme fazer parte dela. :-)
por raquel as 20:28
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[30 de novembro de 2008]

Drops de Domingo

Agora só tenho feito drops nos domingos, quase uma tradição do blog. :)

# O Palacios, lá no blog do GJol, fez um post com uma sugestão excelente ao CNPq. Ele propõe que o Currículo Lattes, que contém quase todas as informações a respeito das publicações, dos trabalhos desenvolvidos e grupos de pesquisa de cada cientista brasileiro, seja transformado em um indexador universal, um "Portal Unificado". Palacios explica:

"Um formidável indexador, um Portal Unificado de toda a produção científica brasileira disponível online, bastando para isto que o CNPq agregue um Motor de Buscas à Plataforma Lattes que, além de localizar os CVs dos pesquisadores, busque e recupere a PRODUÇÃO constante nos currículos, possibilitando sua mineração seja por Autor, Assunto, Palavras-Chave do Título, Palavras-Chaves da Auto-Indexação, etc, com os devidos filtros por Área, sub-Área, etc, como em qualquer sistema de Busca Avançada/Booleana."


Achei a proposta excelente e faço eco. Com certeza, o CNPq poderia auxiliar muitos os pesquisadores nesse sentido, também como forma de popularizar as pesquisas e os trabalhos publicados.

# Cory Doctorow publicou no Boing Boing um texto de Suketu Mehta (autor de Maximum City: Bombay Lost and Found") sobre os ataques em Mumbai. O texto é muito bonito, vale ler.

# Tim O'Reily também publicou um texto explicando por que ama o Twitter. Duas de suas razões são as mesmas minhas: Porque é muito simples e fácil de acessar e porque funciona de forma coordenada com outros sistes ou sistemas de redes sociais. Ultimamente, parece a mim que o maior valor do sistema é mesmo agregar.

# Finalmente, aqui estão algumasestatísticas de sites de redes sociais na América Latina via Andres Cavelier. Não tem nada de surpreendente sobre o Brasil ou sobre os países da América Latina (a maioria dos dados é da ComScore), mas há dados de outros lugares bastante legais. Leiam lá.
por raquel as 08:48
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[29 de novembro de 2008]

Jornalismo Participativo e Redes Sociais na Internet

Acompanhei, nos últimos dias, através do Twitter e de vários blogs, as notícias a respeito dos ataques terroritas em Mumbai e das enchentes em Santa Catarina. Dois eventos de grande impacto, praticamente narrados ao vivo no Twitter e com informações complexas e riquíssimas nos blogs e fotologs. Fiquei impressionada com o potencial do jornalismo dito "cidadão" ou participativo em conexão com as redes sociais.

Mumbai
Através da tag #mumbai, é possível acompanhar o Twitter como grande centralizador das informações do que acontecia na Índia. Voluntários, blogueiros e residentes narravam o que estava acontecendo ao vivo, com detalhes e fotografias batidas pelos próprios residentes. O horror dos demais também pode ser identificado acompanhando essas conversações, bem como as discussões sobre as questões políticas internas ao atentado. Também vários blogs fizeram todo o tipo de cobertura e análise dos atentados. Comunidades do Facebook também foram utilizadas para auxiliar e divulgar informações com relação ao que estava acontecendo. Além disso, twitter e blogueiros auxiliaram na divulgação das listas de mortos e feridos, bem como pedidos de auxílio, de sangue e etc.

twitterhelp.jpg

Santa Catarina
Outra tragédia de grandes proporções que também foi divulgada pelo Twitter, foram as enchentes em Santa Catarina. Foram também criados blogs para o auxílio aos desabrigados e desalojados. O Twitter também foi utilizado, embora talvez não de modo tão focado quanto em Mumbai, e tive acesso às informações principalmente através do colega e amigo Rogério Christofoletti, um dos atingidos, que não apenas auxlia twittando sobre o que está acontecendo, mas divulgando também através do seu blog.

Nos dois casos, tivemos uma dimensão muito mais profunda não apenas em termos de mobilização, mas igualmente em termos de organização local e global. Nos dois casos, tivemos uma dimensão enorme dos acontecimentos graças à riqueza e à instantaneidade das informações que recebemos através do uso dos sistemas de redes sociais. Mais do que meramente colocar informações de agências de notícias, como a maior parte da mídia de massa, tivemos acesso ao vivo, a pessoas que estavam no local, contando o que estava acontecendo, mobilizando-se, criando comunidades e grupos, solicitando auxílio, divulgando informações. E, sobretudo, trazendo informações relevantes e de qualidade. Talvez, com o advento dos sistemas de redes sociais, o jornalismo seja profundamente impactado pelo que antes era apenas um embrião, que é o jornalismo participativo ou cidadão. Esses dois eventos, na minha opinião, assinalam uma quebra importantíssima, não apenas porque as informações foram colocadas online, mas principalmente porque os demais usuários passavam-nas adiante no Twitter, em seus blogs e perfis. Foi essa difusão de informações que, para mim, representa a quebra de paradigmas, pois agrega, à informação o conhecimento dessa informação e sua organização (um dos elementos mais problemáticos da Rede). Esse sim, é o grande diferencial do que aconteceu nesses dois casos.

Update: A Gabriela Zago falou um pouco mais sobre o uso do Twitter para o jornalismo no blog dela. Vale ler
por raquel as 16:16
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[26 de novembro de 2008]

Sites de Redes Sociais como Planos de Sociabilidade

Um idéia que vem martelando na minha cabeça e que precisa ainda ser inserida de uma forma mais coesa no meu trabalho é a visão dos sites de redes sociais como planos de sociabilidade. Acho que é muito importante começar a analisar as migrações das conversações entre os diversos sites e, nesse estudo, tenho percebido que os sites funcionam de forma complementar, organizando espaços sociais diferentes para os atores sociais.

Como assim?
A idéia é simples. Os sites de redes sociais seriam apropriados como planos específicos para tipos de sociabilidade, como por exemplo, para conversações com determinados tipos de públicos e determinados objetivos - e, consequentemente, determinados tipos de capital social. Ou seja, na minha rede social, os sites atuam como organizadores do processo de conversação, permitindo que eu "fale" com determinados atores em cada um desses espaços e organize minha própria rede ali.

redesniveis.jpg

A figura mostra de forma esquemática a idéia. O nó vermelho é o ego da rede estudada. Os planos coloridos representam os sites de redes sociais.

Assim, poderíamos colocar, por exemplo, seguindo o meu caso o Twitter, como um site mais "broadcast" em termos de conversação. Como é difícil seguir o papo, eu não estou o tempo todo lá e o sistema dificulta a coerência da conversação, ele é mais usado para informar e para conversações rápidas. Em compensação, é muito utilizado para divulgar informações de forma rápida É um site, portanto, cujo maior capital social, na minha rede, é cognitivo. Também tem o ponto importante de seguir determinadas pessoas e saber o que dizem, com quem falam e verificar quantos seguidores temos e quantas mensagens recebemos. Também é importante o capital social relacional, mas em menor escala.

O Facebook por outro lado, é um site onde eu só vou para ver o que meus amigos estrangeiros estão fazendo e se me enviam algum recado. É um site puramente relacional, onde o público com quem eu falo não é o mesmo do Twitter (embora, em alguns casos, seja) e que me oferece outros valores que não são os mesmos do Twitter. Ou seja, é um site complementar à minha rede do Twitter. Apesar disso, não é um site propício para todos os tipos de conversação, pois também é difícil acompanhar os assuntos (exceto se as pessoas estão nos chats).

O Orkut, ainda na mesma análise, é também um site relacional. Serve para que eu saiba o que mais amigos fazem, por onde andam e para mandar um recado ou um buddy poke de vez em quando. Eu não mantenho muitas conversações ali, a tendência é que minhas conversações mais síncronas migrem para outros sistemas - como o Plurk ou o MSN. Também no Orkut, eu tenho capital social relacional, mas voltado para a minha rede de amigos brasileiros. A importância do Orkut é basicamente estar lá, para ser encontrado pelos demais. Ele também auxilia a organizar minha rede, mas é um espaço onde eu converso pouco.

Esses três sites de redes sociais abarcariam mais conversações assíncronas e turnos mais diruptivos e com menor coerência. Teriam valores mais relacionados aos laços fracos, como capital relacional e cognitivo e relativos a redes diferentes. Já outros sites, como o Plurk, que eu uso para conversar com meus amigos, possui mais formas de capital social (institucional - marcar um evento; relacional - conversar com os amigos; congnitivo - saber quando saiu o novo episódio de TBBT; etc. etc.) e conversações mais síncronas. Mas eu uso o sistema de forma mais ativa, mais relacionada aos laços fortes. A mesma coisa nos messengers como o MSN e o Gtalk.

redesocial.gif
E o que eu quero dizer com isso?
Parece-me que os sites de redes sociais funcionam como camadas, por vezes conectando os mesmos atores de forma diferente, por vezes conectando atores diferentes e redes diferentes. Assim, quanto mais contatos em sites diferentes eu tenho com um mesmo ator, maior a multiplexidade do meu laço e maior a chance de construir com esse ator um laço forte. Quanto menor o contato com o ator em sites diferentes, maiores as chances que ele seja um laço fraco, pois menor a multiplexidade. Além disso, os sites são utilizados de forma complementar, para diferentes objetivos e diferentes valores sociais.

Entender como os sites de redes sociais são apropriados pelos atores (e eu não estou dizendo aqui que todos apropriam do mesmo modo), relacionar os valores percebidos pelas redes e conectar esses diferentes valores em uma perspectiva "multiplanos" pode ser um pequeno passo para auxiliar a entender, também, a complexidade das redes sociais expressas online. Daí a minha proposta de compreendermos esses sites como planos de sociabilidade, cada um complexificando e valorizando as conexões da rede social que passam por ali. Assim, a perspectiva de que cada site de rede social atue como um plano, complexificando a rede, permitindo novas formas de conversação e apontando para valores mais complexos pode ajudar a estudar as redes sociais de forma mais completa.

Referências:
Essa idéia que comentei aqui está sendo desenvolvida como paper. Mas as referências que citei, em termos de sites de redes sociais: o artigo da danah boyd e da Nicole Ellison com o meu adendo da apropriação (sites de redes sociais são sites apropriados como espaços de expressão das redes sociais); tipos de capital social citados construídos por Bertolini e Bravo (artigo de 2001, não está mais online); apontamentos sobre as redes e a conversação de artigos meus.
por raquel as 11:41
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